Na reestruturação da governança da Natura, acordo acionário por dez anos, recomposição do Conselho com Alessandro Carlucci presidente, e conselho consultivo para preservar cultura
A Natura anunciou uma reestruturação ampla em sua governança que abre um “novo ciclo estratégico” para a companhia, com mudanças no Conselho de Administração e a criação de um Conselho Consultivo estatutário.
Os três fundadores da empresa, Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos, deixarão suas cadeiras no Conselho de Administração e passarão a integrar o novo colegiado consultivo, que terá como função zelar pelos valores e pela cultura da marca.
As alterações vieram acompanhadas de um novo acordo entre acionistas e do compromisso para a possível entrada do fundo Lotus, gerido pela Advent International, conforme informação divulgada pelo g1
Mudança na governança e nova composição do conselho
A recomposição do Conselho de Administração foi total, com mandato de dois anos, e traz Alessandro Carlucci, que já atuava como conselheiro independente, indicado para presidir o colegiado. Entre os nomes que passam a integrar o conselho estão Duda Kertesz, João Paulo Ferreira, e o próprio Carlucci.
A proposta de nova composição inclui também novos integrantes como Pedro Villares, Guilherme Passos, Luiz Guerra, Flávia Almeida e Gabriela Comazzetto. Ao mesmo tempo, Bruno Rocha e Gilberto Mifano deixam o conselho, sendo que Mifano continuará à frente do comitê de auditoria e finanças.
Os fundadores e o atual presidente do conselho, Fabio Barbosa, migrarão para o Conselho Consultivo, cuja função, segundo a companhia, será atuar como “guardião da cultura, dos valores e do legado que definem a essência da companhia”, sem funções executivas nem poder de decisão.
Acordo entre acionistas e prazo
Paralelamente, os principais acionistas firmaram um novo acordo com prazo inicial de dez anos, prorrogável por mais dez, que substitui o documento anterior com término previsto para 31 de março de 2026. O novo acordo reúne blocos históricos de controle e reafirma compromisso de longo prazo com a empresa.
Entre os blocos que assinam o acordo estão o Bloco Seabra, representado por Antonio Luiz da Cunha Seabra, o Bloco Leal, representado por Guilherme Peirão Leal, e o Bloco Passos, representado por Pedro Luiz Barreiros Passos. Também participam o Bloco Pinotti, representado por Vinicius Pinotti, e o Bloco Mattos, representado por Maria Heli Dalla Colletta de Mattos.
A Natura informou que o novo acordo mantém inalteradas as participações acionárias desses grupos e, nas palavras da companhia, “A celebração do novo acordo reafirma o compromisso dos acionistas com o futuro da Natura e com a continuidade do projeto empresarial”.
Entrada da Advent, termos e impactos
Em paralelo às mudanças de governança, a Natura firmou um compromisso vinculante com o fundo Lotus, gerido pela Advent International, para a compra de uma participação minoritária no mercado secundário. O acordo prevê que a Advent adquira entre 8% e 10% das ações da Natura no mercado secundário dentro de um prazo de até seis meses, considerando um preço alvo médio de R$ 9,75 por ação.
Se o investidor atingir a participação mínima de 8%, terá o direito de indicar dois membros para o Conselho de Administração e de participar de comitês de assessoramento. Nesse cenário, o conselho poderá ser ampliado para até dez integrantes, com uma estrutura combinando conselheiros indicados pelos acionistas controladores, representantes do investidor e membros independentes.
A empresa diz que a reorganização da governança e a entrada potencial do novo parceiro fazem parte da estratégia de preparar a companhia para um novo ciclo de crescimento, com papéis mais definidos entre execução da estratégia de negócios, atribuída ao Conselho de Administração, e preservação da cultura corporativa, a cargo do Conselho Consultivo.
