Como o tarifaço de Trump remodelou o comércio global, quem ganhou e quem perdeu, por que a arrecadação subiu e por que americanos acabaram pagando a conta

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Um ano após o ‘Dia da Libertação’, o tarifaço de Trump mudou cadeias de suprimentos, derrubou importações da China, elevou a arrecadação e pressionou consumidores nos EUA

Em 2 de abril de 2025, o presidente americano anunciou uma sobretaxa mínima de 10% sobre todas as importações, com alíquotas de até 50% para 85 países que exportam mais para os EUA do que importam.

O anúncio, chamado de “Dia da Libertação”, provocou choque imediato nos mercados, movimentos rápidos de estoque por parte de importadores e uma pausa inicial de 90 dias para negociações, antes da entrada em vigor das tarifas específicas.

Os efeitos se espalharam por cadeias globais, com fluxos de comércio realocados para países com menor risco tarifário e consumidores americanos arrochados pelos custos, conforme informação divulgada pelo g1.

Como o tarifaço foi anunciado e as reações iniciais

No anúncio do tarifaço, a Casa Branca informou que todos os países seriam submetidos a uma sobretaxa básica de 10%, com exceções por sanções e acordos pré-existentes.

Além disso, 85 países seriam alvo de sobretaxas mais altas, que chegavam a até 50%, e, diante do choque nos mercados, o governo fez uma pausa de 90 dias em todas as tarifas acima da taxa básica de 10%.

O próprio presidente declarou, na época, “As tarifas vão nos deixar ricos pra caramba”, frase que antecipou a estratégia de endurecer custos sobre importações e forçar rearranjos comerciais.

Rearranjo das cadeias e países que ganharam e perderam

As empresas americanas reagiram estocando produtos, elevando importações entre janeiro e março de 2025 em 20% sobre a média de 2022 a 2024, um salto equivalente a cerca de 184 bilhões de dólares.

Entre abril e julho de 2025, as importações dos EUA da China caíram em 66 bilhões de dólares em relação a períodos anteriores, a maior redução entre os parceiros comerciais.

Ao mesmo tempo, países considerados dos “10%”, como Austrália e nações da América Latina, além de Taiwan, Vietnã e Índia, ampliaram suas exportações para os EUA, com Taiwan registrando um acréscimo de 34 bilhões de dólares apenas entre abril e julho.

O economista Haishi Li resumiu o comportamento do comércio, afirmando, “As importações se comportaram como a água, fluindo de países com tarifas altas para países com tarifas baixas”.

Quem pagou a conta, impacto doméstico e arrecadação

Os dados mostram que, na prática, as tarifas foram pagas majoritariamente por importadores e consumidores americanos, não pelos exportadores estrangeiros.

Em 2025 o Tesouro americano arrecadou 287 bilhões de dólares em tarifas e impostos, aproximadamente o triplo de anos anteriores, valor que representou cerca de 5% da receita federal naquele ano.

Alex Durante, da Tax Foundation, avaliou, “O último ano foi bastante ruim para a indústria e para o emprego”, e estimou que “Estimamos que as tarifas custaram, na prática, cerca de mil dólares por domicílio americano em 2025”.

Mesmo com mudança na origem das compras, a produção não retornou aos EUA em escala suficiente para compensar desemprego e perda de investimento em setores afetados.

Incerteza legal e próximo capítulo para o comércio

A instabilidade legal também marcou o período, com a Suprema Corte questionando e, em fevereiro, derrubando a base legal das tarifas originais, enquanto o governo buscou novas formas de manter receitas tarifárias.

Em meio à incerteza, foi anunciada uma nova alíquota geral de 15%, e exportadores e importadores tentam prever riscos, renegociar contratos e diversificar destinos e fornecedores.

Analistas sugerem que governos priorizem apoio à diversificação de cadeias, para tornar empresas mais resilientes, e que o efeito mais duradouro do tarifaço pode ser um comércio global marcado por volatilidade e procura por substitutos à China.

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