ONU adia votação sobre autorização de uso da força no Estreito de Ormuz, China diz que vetará proposta do Bahrein e Irã classifica medida como ‘provocativa’

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Diplomatas tentam acordo com membros permanentes, votação foi transferida para a próxima semana, estreito concentra cerca de 20% do petróleo mundial e levou preço ao patamar de US$ 109

O Conselho de Segurança da ONU adiou a votação sobre uma resolução que autorizaria o uso da força no Estreito de Ormuz, inicialmente marcada para esta sexta-feira, com nova data prevista para a próxima semana.

A iniciativa foi apresentada pelo Bahrein, atual presidente do Conselho, em resposta a ataques contra navios e implantação de minas na região, mas já enfrenta resistência de membros permanentes.

Autoridades chinesas anunciaram que usarão o veto caso a autorização do uso da força avance, enquanto França e Rússia também manifestaram objeções, levando diplomatas a buscar um texto de compromisso.

conforme informação divulgada pelo g1

Motivos do adiamento e a tentativa de consenso

O Bahrein, apoiado por Estados árabes do Golfo e pelos Estados Unidos, apresentou um esboço de resolução que buscava autorizar operações por seis meses.

Em nova versão, o texto finalizado prevê a autorização das medidas, conforme o rascunho, que autoriza as medidas “por um período de pelo menos seis meses (…) e até que o Conselho decida de outra forma”, em linguagem usada nos procedimentos da ONU.

Diplomatas disseram que o procedimento de silêncio foi inicialmente quebrado por China, França e Rússia, e, diante das divergências, optou-se por adiar a votação para tentar um acordo com os membros permanentes.

Posição da China, da França e da Rússia

O enviado da China à ONU, Fu Cong, afirmou oposição à autorização do uso da força, e Pequim já sinalizou que usará seu poder de veto se for necessário.

França e Rússia também indicaram objeções, dificultando a aprovação de uma resolução que, para os proponentes, busca proteger a livre navegação no Estreito de Ormuz.

O Bahrein tentou amenizar resistências, retirando uma referência à aplicação obrigatória em versões anteriores do texto, mas o impasse entre os membros permanentes persiste.

Reação do Irã e riscos para a navegação

O Irã criticou a proposta antes mesmo da votação, com o chanceler Abbas Araghchi declarando, em comentário reproduzido por diplomatas, “Qualquer ação provocativa por parte dos agressores e seus apoiadores, inclusive no Conselho de Segurança da ONU, em relação à situação no Estreito de Ormuz, só irá complicar ainda mais a situação”.

O Estreito de Ormuz, situado na costa do Irã, é responsável por cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo, tornando qualquer escalada um fator de pressão imediata nos preços internacionais.

Na quinta-feira, o barril chegou a US$ 109, segundo dados citados por diplomatas, refletindo a preocupação dos mercados com a insegurança nas rotas de transporte de energia.

O que muda a partir do adiamento

Com a votação adiada, diplomatas dizem que haverá nova rodada de negociações para tentar um texto que consiga apoio, ou ao menos evitar vetos automáticos dos membros permanentes.

Se não houver consenso, a capacidade do Conselho de agir em comum será limitada, e a segurança da navegação no Estreito de Ormuz seguirá como questão central da política internacional e dos mercados de energia.

Enquanto isso, países do Golfo, aliados e rivais acompanham de perto as negociações no Conselho, com foco em evitar uma escalada que poderia afetar rotas comerciais e preços globais do petróleo.

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