Com contrato até 2039, a Aena passa a gerir o Galeão com novo modelo financeiro, sem a obrigatoriedade da terceira pista, e com previsão de incentivo à ampliação de voos
O Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, terá mudanças importantes no modelo de concessão após a venda assistida que levou a espanhola Aena a vencer o leilão pelo terminal.
O novo contrato altera regras centrais da operação, entre elas a forma de pagamento à União e exigências de infraestrutura, e abre caminho para a gestão plena da Aena, com promessa de ampliar rotas e atrair companhias aéreas.
As informações e os números que sustentam as mudanças foram divulgados pelo g1, e servem de base para entender o impacto da troca de operador no aeroporto carioca, conforme informação divulgada pelo g1
Como funciona o novo modelo de pagamento e o que muda
O principal ponto financeiro do novo contrato é a substituição da cobrança fixa por um modelo variável, com a concessionária repassando 20% do faturamento bruto à União ao longo do contrato, válido até 2039.
Essa mudança busca dar previsibilidade e ajustar a receita ao movimento real do terminal, enquanto a Aena assume todos os direitos, deveres e contratos vigentes, podendo explorar, manter e ampliar a infraestrutura.
Obrigações de obras e saída da Infraero
Entre as alterações relevantes está o fim da obrigação de construção de uma terceira pista, item previsto na concessão original de 2013, apontado como entrave ao equilíbrio financeiro do projeto.
O novo modelo também prevê a saída da Infraero da sociedade, permitindo que a Aena assuma integralmente a operação, o que altera a governança e a responsabilidade sobre investimentos e manutenção.
Compensações por mudanças no Santos Dumont e expectativas operacionais
O contrato inclui um mecanismo de compensação caso ocorram mudanças nas regras do Aeroporto Santos Dumont, principal concorrente do Galeão na cidade, o que visa proteger a atratividade comercial do terminal internacional.
A chegada da Aena, que já administra 17 aeroportos no Brasil, incluindo Congonhas, eleva a expectativa de ampliação de rotas e voos, atração de novas companhias, e melhoria da infraestrutura do Galeão.
Números do leilão e recuperação do movimento de passageiros
O leilão foi realizado na B3, em São Paulo, e a disputa terminou com o lance final de R$ 2,9 bilhões, após início em R$ 932,8 milhões, em uma concorrência marcada por sucessivos lances e por um ágio de 210,88%.
O Galeão enfrentou uma crise que começou antes da pandemia, com cerca de 40% de ociosidade e um terminal fechado, e passou por recuperação a partir de 2023, com medidas de coordenação entre governos e limitação do fluxo no Santos Dumont.
Em termos de tráfego, o aeroporto teve 5,9 milhões de passageiros em 2022 e atingiu quase 18 milhões em 2025, ainda abaixo da capacidade total de 37 milhões de passageiros por ano.
Atualmente, a operação registra cerca de 340 voos diários, sendo cerca de 110 internacionais, colocando o Galeão entre os aeroportos mais movimentados do país em 2025, atrás apenas de Guarulhos e Congonhas.
Reação do setor e impactos esperados
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, Firjan, considerou o resultado positivo e destacou o papel do Galeão na conectividade internacional do estado.
Na avaliação de Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan, “A recuperação da conectividade aérea internacional pelo Galeão, que concentra voos de longa distância e operações de grande porte, é um reflexo direto da reorientação do tráfego aéreo, consolidando o Rio de Janeiro como importante porta de entrada no país”, afirmou.
Especialistas e autoridades esperam que a combinação entre o novo modelo financeiro, a gestão integrada pela Aena, e medidas de coordenação com o Santos Dumont, ajudem a atrair investimentos, aumentar a competitividade do terminal e melhorar o acesso logístico ao aeroporto.
