Vietnã une chefia do Partido Comunista e presidência pela primeira vez em décadas com To Lam no comando

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Vietnã consolida poder com To Lam à frente do Partido Comunista e Presidência, buscando estabilidade e avanços econômicos ambiciosos

O Vietnã vive uma mudança histórica em sua estrutura de liderança ao eleger o secretário-geral do Partido Comunista, To Lam, como presidente do país para um mandato de cinco anos. Essa decisão inédita rompe com a tradição vietnamita de dividir as posições chave entre pessoas diferentes e fortalece o controle de To Lam sobre o partido e o Estado ao mesmo tempo.

To Lam, com 69 anos, tomou posse em Hanói e destacou que sua prioridade máxima será preservar a paz e a estabilidade, fundamentais para acelerar o crescimento econômico sustentável e melhorar a qualidade de vida da população vietnamita. A aposta é que a centralização do poder propicie tomadas de decisão mais rápidas e eficazes diante dos desafios nacionais e internacionais.

Ao longo dos últimos anos, To Lam já havia assumido simultaneamente esses cargos brevemente. Sua chegada definitiva à presidência acompanha uma série de reformas burocráticas, econômicas e políticas que buscam modernizar o Vietnã, apontando para uma meta audaciosa de crescimento econômico superior a 10% ao ano nos próximos cinco anos.

Rompimento com a tradição de liderança compartilhada

Por décadas, o Vietnã manteve um modelo de liderança compartilhada que distribuía os principais cargos entre diferentes figuras do partido. Com a eleição unânime de To Lam como presidente e secretário-geral, o país se alinha à estrutura política observada em países como a China, sob Xi Jinping, e o Laos. Essa concentração de poder proporciona a Lam um mandato com maior autoridade do que a experimentada por líderes vietnamitas em mais de 40 anos.

Especialistas apontam que essa mudança pode permitir maior coerência política e a implementação de reformas complexas em um momento crucial para o Vietnã, mas também alertam para o risco de que avanços institucionais possam ficar atrás do ritmo de centralização de poder.

Perfil e trajetória de To Lam

To Lam construiu sua carreira dentro dos serviços de segurança do Vietnã, ascendendo graças a uma rigorosa campanha anticorrupção implementada pelo seu antecessor. Como chefe do Ministério da Segurança Pública, ele supervisionou ações decisivas contra a corrupção, ganhando destaque e apoio dentro das estruturas do Partido Comunista.

Depois, liderou a maior reforma administrativa no país desde os anos 1980, promovendo cortes de pessoal, fusões de ministérios, mudanças regionais e o investimento em grandes projetos de infraestrutura. Sua administração tem focado no fortalecimento do setor privado e no objetivo de diversificar a economia, deixando de depender apenas da mão de obra barata e do modelo exportador tradicional.

Desafios econômicos e externos para o novo presidente

Apesar do crescimento econômico vigoroso, o Vietnã enfrenta dificuldades decorrentes de um ambiente econômico global instável, como o choque energético provocado pela guerra no Irã. O país registrou um crescimento anualizado de 7,8% no primeiro trimestre de 2026, acima dos 7,1% do ano anterior, mas ainda aquém da meta de 9,1% e inferior ao ritmo no final do ano passado.

Politicamente, To Lam precisa conquistar a adesão das instâncias internas para reformas profundas e manter uma política externa equilibrada. O Vietnã está sob pressão dos Estados Unidos devido ao superávit comercial, ao mesmo tempo em que equilibra sua relação com a China, tanto maior parceiro econômico quanto rival estratégico na disputa pelo Mar da China Meridional.

Especialistas destacam que o país se beneficiou de uma estratégia cuidadosa no jogo diplomático, porém, o cenário global turbulento torna mais desafiador manter essa posição equilibrada e pragmática.

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