segunda-feira, abril 20, 2026

Governo investirá R$ 30,5 bilhões para conter alta dos combustíveis e compensará parte com aumento de imposto sobre cigarros

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Pacote do governo federal visa reduzir impacto da guerra no Oriente Médio sobre preços dos combustíveis no Brasil e ajusta tributação para equilibrar despesas

O governo federal anunciou um pacote que deve custar R$ 30,5 bilhões para tentar impedir que a guerra no Oriente Médio eleve ainda mais os preços dos combustíveis no Brasil. As medidas incluem isenção de impostos federais, subsídios para produtores e importadores, e mudanças na tributação de produtos como os cigarros.

Para compensar parte dos gastos, a equipe econômica decidiu aumentar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos cigarros por dois meses. Além disso, a maior parte da compensação virá da arrecadação sobre a exportação de petróleo e royalties. O objetivo é garantir que o impacto para o consumidor final seja minimizado, mesmo diante do cenário internacional adverso.

Nas linhas seguintes, você vai entender quais são as principais ações adotadas pelo governo, como funcionam os subsídios e as compensações fiscais, e o impacto esperado dessas decisões para o orçamento público e a população.

Principais medidas adotadas para frear a alta dos combustíveis

O governo está adotando uma série de medidas emergenciais para conter o aumento dos preços dos combustíveis, que sofrem pressão devido ao conflito internacional. A isenção do PIS/Cofins para o diesel representa a maior fatia do custo, estimada em R$ 20 bilhões. Este benefício visa reduzir diretamente o custo do combustível mais utilizado no país.

Além disso, há uma subvenção de R$ 10 bilhões destinada a importadores e produtores nacionais de diesel, voltada para diminuir o custo de aquisição e produção do combustível. Outros R$ 500 milhões estão previstos para isenção dos impostos federais que incidem sobre o querosene de aviação (QAV), o biodiesel e apoio financeiro aos importadores de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP).

Subvenção compartilhada para incentivo ao diesel importado

Uma parte importante do pacote é o acordo feito com 25 estados brasileiros para oferecer um subsídio de R$ 1,20 por litro ao diesel importado. Este valor é dividido igualmente entre a União e os estados, ficando R$ 0,60 para cada esfera. A medida será aplicada em abril e maio e tem custo estimado em R$ 4 bilhões, ajudando a evitar que o aumento do preço internacional seja repassado integralmente aos consumidores.

Para gerir o pagamento dessa compensação aos estados, o governo federal fará inicialmente os repasses e depois compensará os valores no Fundo de Participação dos Estados (FPE), que reúne 21,5% da receita líquida do Imposto de Renda e do IPI.

Alteração na tributação dos cigarros para compensar parte das perdas

Como forma de compensar a renúncia fiscal sobre querosene de aviação e biodiesel, o governo aumentou temporariamente o IPI sobre cigarro. A alíquota subiu de 2,25% para 3,5%, o que deve gerar uma arrecadação adicional de aproximadamente R$ 1,2 bilhão em dois meses.

Com essa alteração, o preço mínimo da carteira de cigarros passa de R$ 6,50 para R$ 7,50, impacto que deve contribuir para minimizar o rombo causado pela isenção de impostos sobre outros combustíveis.

Economia por litro de combustível e impacto no orçamento público

Segundo o governo, a medida de zerar impostos federais sobre o querosene de aviação deve gerar uma economia de R$ 0,07 por litro, enquanto a redução de tributos sobre o biodiesel equivale a R$ 0,02 por litro. Vale lembrar que o biodiesel corresponde a 15% da mistura do diesel comercializado.

Com a soma dessas iniciativas e o ajuste na tributação dos cigarros, o pacote busca equilibrar o orçamento e preservar o acesso da população a combustíveis com preços menos elevados. Essa ação governamental demonstra a tentativa de mitigar os efeitos dos choques internacionais no bolso do consumidor brasileiro.

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