Como a instabilidade política e a sucessão frequente de presidentes no Peru têm limitado o crescimento econômico e elevado a pobreza no país
Apesar do Peru manter indicadores econômicos favoráveis, a constante crise política tem debilitado seu potencial de crescimento e ampliado as dificuldades sociais. Nos últimos anos, o país experimentou uma série praticamente ininterrupta de mudanças presidenciais, o que provocou um cenário de incertezas para investidores e prejudicou o desenvolvimento sustentável.
A situação do “carrossel político” impede a adoção de políticas econômicas consistentes, refletindo diretamente na trajetória de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e afetando indicadores sociais como o índice de pobreza e a renda formal da população. No contexto atual, o Peru precisa superar essa instabilidade para recuperar seu pleno potencial e combater desigualdades históricas.
Este artigo detalha os principais fatores dessa interligação entre política e economia no Peru, as consequências práticas para seu povo e as perspectivas diante do processo eleitoral que se aproxima.
A base econômica sólida sob pressão política
O Peru tem uma economia aberta e um histórico de segurança jurídica para investidores, suportada pela gestão independente do Banco Central de Reserva, que preserva a estabilidade da moeda local, o sol. Essa estrutura técnica e estável conferiu ao país um crescimento médio do PIB próximo a 4% ao ano nas últimas duas décadas e fez dele um exemplo regional em termos macroeconômicos.
No entanto, a estabilidade econômica ocorre simultaneamente a uma dinâmica política turbulenta, com oito presidentes durante apenas cinco anos. Apesar de a economia apresentar crescimento, essa instabilidade funciona como um limite à sua expansão máxima.
O custo oculto da instabilidade: crescimento aquém do potencial e aumento da pobreza
Desde 2018, com a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski, a sucessão rápida de presidentes contribuiu para o desaquecimento da economia, que se expandiu a uma média de apenas 2,3% desde 2022, desconsiderando os efeitos da pandemia de covid-19. Especialistas estimam que, em condições políticas mais estáveis, o crescimento poderia ter alcançado entre 5% a 6% ao ano.
Esse desempenho aquém do esperado tem reflexos diretos na população. Em 2019, 20% dos peruanos viviam em situação de pobreza, índice que subiu para 27,6% em 2024. Além disso, a renda formal da população ainda não retornou aos níveis pré-pandemia, mostrando uma recuperação incompleta e desigual.
Impactos das mudanças frequentes de governança
O fenômeno do “carrossel político” no Peru trouxe volatilidade não apenas no cargo de presidente, mas também nas equipes ministeriais. O tempo médio de permanência do ministro da Economia atualmente é de apenas sete a oito meses, dificultando qualquer planejamento macroeconômico de médio e longo prazos.
Essa instabilidade gera incertezas para setores cruciais como a mineração, base importante da economia peruana, que depende de decisões estratégicas e investimentos que levam tempo para se concretizar. A rotatividade e incertezas adoecem o ambiente para o crescimento sustentável e ampliam o risco de perdas econômicas.
Desafios sociais e perspectivas com eleições em 2026
A corrupção e o crime organizado continuam a corroer a confiança nas instituições peruanas, afetando o bom funcionamento do Estado e da economia. Setores como a mineração ilegal representam prejuízos bilionários ao país e alimentam essa crise multifacetada.
Com eleições gerais e locais agendadas para 2026, a esperança está em renovar a governança e criar um ambiente político favorável para políticas econômicas coerentes, que promovam o emprego formal e recuperem o dinamismo econômico do Peru. A continuidade da gestão do Banco Central e a escolha de seus dirigentes também serão fundamentais para manter a estabilidade macroeconômica nos próximos anos.
