Nas últimas duas décadas, o Peru registrou crescimento econômico sólido, chegando a taxas superiores a 10% em alguns anos. No entanto, desde 2018, o ritmo desse crescimento tem apresentado desaceleração persistente, impulsionada por uma sequência de crises políticas que minaram a estabilidade do país e levaram sua economia a operar abaixo do potencial.
Instabilidade política e sucessão acelerada de presidentes
A renúncia do presidente Pedro Pablo Kuczynski em 2018 inaugurou um período marcado por uma rápida alternância no comando do Executivo. Desde então, o Peru contou com oito presidentes e uma rotatividade intensa nos ministérios, especialmente na pasta econômica, cujo titular tem durado em média sete a oito meses no cargo. Essa volatilidade dificulta a implementação de políticas econômicas consistentes e a formulação de planos de longo prazo, essenciais para setores que demandam grandes investimentos, como a mineração.
Impactos na economia e na qualidade de vida
O crescimento econômico peruano desacelerou para cerca de 2,3% em média desde 2022, número abaixo do potencial estimado entre 5% e 6% em cenário de estabilidade política e com preços internacionais favoráveis para suas exportações. Além disso, a instabilidade contribuiu para a expansão da pobreza, que subiu de 20% da população em 2019 para 27,6% em 2024. A recuperação da renda real formal também estagnou, não atingindo os patamares anteriores à pandemia.
Desafios decorrentes da corrupção e criminalidade
Entre os obstáculos enfrentados, a corrupção sistemática e a captura de segmentos do Estado por organizações criminosas agravam a situação. A mineração ilegal, em especial, representa um desafio econômico e social, com estimativas de exportações ilícitas de ouro na ordem de US$ 11,5 bilhões no último ano, valor comparável à produção oficial de importantes setores. Essa realidade alimenta um ambiente de insegurança jurídica e econômica.
Perspectivas diante das eleições e do cenário internacional
O contexto eleitoral de 2024, com pleitos gerais e regionais, aumenta a incerteza sobre o futuro do país, especialmente considerando o descontentamento popular com a corrupção e a instabilidade. Enquanto o Banco Central projeta crescimento de cerca de 2,9% do PIB para este ano, ameaças externas como a guerra no Oriente Médio podem influenciar negativamente o desempenho econômico, principalmente pelo aumento dos preços do petróleo. O resultado das eleições será chave para definir se o Peru conseguirá superar o atual “modo zumbi” econômico e retomar trajetória de desenvolvimento e coesão social.
A renovação da diretoria do Banco Central, incluindo a possível manutenção do atual presidente, é outro ponto relevante que pode impactar a confiança dos investidores e a estabilidade macroeconômica.
