Homens com obesidade podem transmitir risco metabólico aos filhos por microRNAs no esperma, estudo revela mecanismo e possibilidade de reversão

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Pesquisa publicada em Nature Communications mostra que microRNAs no sêmen de homens com obesidade, como o let-7, podem alterar o embrião e reduzir com perda de peso

Um estudo internacional com participação de pesquisadores brasileiros identificou um caminho molecular no sêmen que conecta a saúde metabólica do pai ao risco dos filhos desenvolverem problemas como diabetes.

Os achados apontam para pequenas moléculas, os microRNAs, como mensageiros que podem alterar o desenvolvimento precoce do embrião e programar riscos metabólicos mais à frente da vida.

Conforme informação divulgada pelo g1.

Experimentos em camundongos e sinais no esperma

Durante o estudo, os pesquisadores observaram que os animais obesos passaram a expressar em excesso no tecido adiposo e também no espermatozoide um tipo de microRNA conhecido como let-7.

Os filhotes de machos obesos nasciam com peso normal, mas, com o passar dos dias, apresentavam um quadro de intolerância à glicose e resistência à insulina.

Essas características contribuem para o desenvolvimento do diabetes tipo 2.

Os microRNAs funcionam como “interruptores finos” das células, eles não produzem proteínas, mas controlam quanto de cada proteína é produzido.

“Ele [o estudo] mostra que essa ‘herança’ pode ser transmitida pelo pai através do espermatozoide, usando pequenas moléculas, os microRNAs, que carregam informações sobre o estado de saúde do organismo”, detalha Marcelo Mori, professor do Instituto de Biologia da Unicamp e um dos pesquisadores envolvidos no estudo.

Achados iniciais em homens com obesidade

Para validar os achados em humanos, foram selecionados 15 homens com nível de obesidade severo e que se preparavam para tratamentos de fertilidade.

Análises iniciais mostraram excesso do let-7, tanto no tecido adiposo quanto no sêmen, como observado nos camundongos.

Quando submetidos a uma intervenção no estilo de vida e a uma reeducação alimentar, os homens também tiveram uma diminuição nos níveis desse microRNA.

“Perder peso melhora a ‘qualidade molecular’ do esperma, pelo menos no que diz respeito aos microRNAs estudados”, explica Mori.

Origem dos microRNAs e próximos passos

Os pesquisadores ainda não sabem como esses microRNAs aumentam no espermatozoide e de onde eles vêm.

“Uma hipótese é que eles venham do próprio tecido adiposo (a gordura do corpo)”, analisa Mori.

Se essa hipótese for confirmada, há a possibilidade de desenvolver intervenções que reduzam o risco de transmissão desses sinais moleculares para a próxima geração, porém são necessárias novas pesquisas que investiguem a origem desses microRNAs e estudos clínicos para aprofundar os achados em humanos.

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