No espetáculo, Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta alternaram uníssono e duelo vocal, reviveram sambas antigos e incluíram composições recentes, com arranjos que valorizam o balanço do tamborim
O espetáculo apresentado no Teatro Ipanema reafirmou a identidade da dupla, que situa o canto no compasso do samba tradicional e na leveza do telecoteco, sem apagar a modernidade de temas novos.
Em cena, os dois cantores dividiram o palco com cinco músicos, e a seleção de canções transitou entre raridades do rádio e sambas contemporâneos pensados para salão e gafieira.
No conjunto, o formato do show e o entrosamento vocal foram elementos centrais, tornando o roteiro agradável e de fácil comunicação com a plateia presente em 31 de março de 2026.
conforme informação divulgada pelo g1
Repertório, arranjos e referências históricas
O concerto refez caminhos do disco de 2025, e trouxe ao palco músicas como “Doralice” e “Seja breve”, além de pérolas do início do século 20 recuperadas pela dupla.
O texto da crítica destaca que “telecoteco é a levada malemolente do tamborim”, definição que explica o caráter móvel e dançante das interpretações, e que aparece tanto na percussão quanto no timbre das vozes.
Além de resgatar sambas da era do rádio, o show incluiu composições recentes como “Santinha” e a espiritual “Prece do jangadeiro”, compondo um roteiro que conversa com o passado sem soar antiquado.
A performance e a química entre os cantores
Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta alternaram momentos em uníssono com pequenas disputas de canto, e até brincaram entre si com comentários sobre futebol antes de introduzir marchas e sambas.
O trabalho de palco, segundo a crítica, valorizou a harmonização das vozes e o molejo típico do telecoteco, embora tenha sido sugerido que um alinhamento de figurinos poderia ter acrescentado charme à apresentação.
Na mesma avaliação, o show recebeu a observação precisa sobre sua qualidade, com a nota apresentada como Cotação: ★ ★ ★ ★ 1/2, e foi considerado, no geral, um espetáculo extremamente gracioso.
Música e arranjos, a contribuição dos instrumentistas
O conjunto instrumental reuniu músicos que deram suporte rítmico e harmônico, entre eles Marcos Thadeu na bateria e chapéu de palha, Paulino Dias na percussão, Paulo Aragão na direção musical, Pedro Aragão no bandolim e violão, e Rui Alvim no clarinete e clarone.
Os arranjos mantiveram a riqueza do disco, com destaque para a percussão que reforçou o balanço em sambas-choro e naquelas faixas em que a cuíca e o chapéu de palha imprimem cor e textura às canções.
Recepção e significado do show
Para a crítica, o espetáculo “Bicudos dois” flertou com a perfeição do segundo álbum conjunto da dupla, fortalecendo a relevância de Del-Penho e Malta na cena que revisita e reativa clássicos do samba.
O show, que estreou em 17 de dezembro e voltou ao Teatro Ipanema em 31 de março de 2026, integra uma programação que tem atraído público interessado em projetos de curadoria cuidadosa, e reforça a sobrevivência de repertórios tradicionais em linguagem contemporânea.
Em síntese, o público encontrou um concerto em que o telecoteco, a afinação vocal e os arranjos conciliaram passado e presente, consolidando o papel da dupla como intérpretes que reinventam o material histórico sem perder o balanço.
