Furto de vírus na Unicamp, 24 cepas recuperadas, Anvisa diz que não há risco à saúde e PF investiga possível tentativa de venda pelas suspeitos

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Furto de vírus na Unicamp: investigação aponta retirada sem autorização de material de laboratório NB-3, recuperação das amostras em prédios da universidade, e apuração de eventual falha no controle

Ao menos 24 cepas diferentes de vírus foram retiradas sem autorização do Laboratório de Virologia do Instituto de Biologia da Unicamp, área classificada como NB-3, o mais alto nível de biossegurança no país.

A Polícia Federal investiga a professora doutora Soledad Palameta Miller e o marido, Michael Edward Miller, suspeitos de terem levado as amostras para outros laboratórios dentro da universidade, e avalia a hipótese de tentativa de venda das amostras.

Conforme informação divulgada pelo g1, as autoridades afirmam que as amostras foram recuperadas em prédios da Unicamp, sem indícios de contaminação externa ou terrorismo biológico.

O que as autoridades dizem sobre o risco à saúde

A Anvisa participou das buscas realizadas pela Polícia Federal no dia 23 de março, e em nota afirmou, textualmente, “Em que pese o fato de a Anvisa não ser a responsável pela fiscalização de laboratórios de pesquisa científica e experimental, os técnicos da agência não constataram, com base nas informações disponíveis até o momento, a hipótese de emergência de saúde em decorrência desse material”.

A posição da agência, divulgada oficialmente, reforça que, até agora, não há evidências de risco à população decorrente do episódio, segundo as informações compartilhadas com a investigação.

Detalhes do furto e das amostras recuperadas

Segundo as apurações, foram subtraídas pelo menos 24 cepas diferentes, entre elas vírus de dengue, chikungunya, zika, herpes, Epstein-Barr, coronavírus humano, além de H1N1 e H3N2 e 13 tipos de vírus que infectam animais.

A Polícia Federal informou que as amostras foram recuperadas em três locais distintos dentro da universidade, sem sinais de contaminação externa, e que não havia material na residência do casal no momento das buscas.

Investigações e possíveis motivações

A investigação criminal apura, entre outras hipóteses, se a professora e o marido tentaram comercializar as amostras. A PF também apura crimes como furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de material biológico.

Soledad e Michael são sócios da empresa Agrotrix Biotech Solutions, descrita como dedicada à pesquisa e desenvolvimento experimental em ciências físicas e naturais, e a PF avalia se essa ligação tem relação com a retirada das amostras.

Apuração institucional e reações da Unicamp e do MPF

A Unicamp afirmou que o episódio foi um “caso isolado“, que não havia organismos geneticamente modificados entre os materiais, e que acionou imediatamente a Polícia Federal e a Anvisa, o que permitiu a rápida localização e apreensão das amostras.

A universidade também declarou que “repudia qualquer tentativa de exploração sensacionalista do caso” e instaurou sindicância interna para apurar responsabilidades, enquanto o processo criminal segue sob sigilo.

O Ministério Público Federal abriu procedimento para “apurar a regularidade do acondicionamento, controle e fiscalização de material biológico sensível no âmbito da instituição, bem como a eventual existência de falhas estruturais ou procedimentais que tenham contribuído para o desaparecimento das amostras, com potencial repercussão sobre a saúde pública”, segundo nota oficial do MPF.

No âmbito judicial, a professora responde ao processo em liberdade, sujeita a restrições como proibição de acessar os laboratórios envolvidos, e as investigações continuam em curso.

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