Estatais federais registram rombo recorde de R$ 4,16 bilhões no 1º bimestre de 2026, pressionando Correios, Infraero, Serpro e contas do Tesouro

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Déficit de R$ 4,16 bilhões no início do ano eleva risco de novos aportes públicos e aprofunda crise em empresas como os Correios

O primeiro bimestre de 2026 registrou um rombo incomum entre as estatais federais, com impacto direto sobre o caixa de algumas empresas e sobre a pressão sobre o Tesouro.

O Banco Central (BC) informou nesta terça-feira (31) que as empresas estatais federais registraram um déficit de R$ 4,16 bilhões nos dois primeiros meses de 2026.

Esse é o pior resultado para o primeiro bimestre de um ano da série histórica do BC, que tem início em 2002, e se aproxima do déficit anual de 2025, que foi de R$ 5,1 bilhões, conforme informação divulgada pelo g1.

Como o Banco Central mensura o rombo

O conceito usado pelo Banco Central considera apenas a variação da dívida das estatais, método que é comum em análises fiscais internacionais.

Na prática, isso significa que o indicador mede quanto a dívida consolidada dessas empresas cresceu ou diminuiu, sem seguir o conceito de caixa, receitas e despesas usado em medidas do governo conhecidas por acima da linha.

Quem entra e quem fica de fora do cálculo

A série do BC exclui a Petrobras, a Eletrobras e as empresas do setor financeiro, como bancos públicos, da contabilidade das estatais federais.

Entre as empresas computadas pelo indicador estão os Correios, a Emgepron, a Hemobrás, a Casa da Moeda, a Infraero, o Serpro, a Dataprev e a Emgea.

O aprofundamento da crise nos Correios

Os Correios aparecem como principal caso prático da deterioração nas estatais federais, com forte prejuízo operacional e necessidade de recursos externos.

No acumulado até setembro de 2025, o prejuízo foi de R$ 6 bilhões, e o resultado pode ter chegado a R$ 9,1 bilhões no ano fechado, segundo dados divulgados, resultado ainda não foi divulgado.

Em dezembro, a estatal contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras, com garantia do Tesouro Nacional, para quitar dívidas e aliviar o caixa.

O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou no fim do ano passado que os Correios precisarão de mais R$ 8 bilhões em 2026 para o enfrentamento da crise financeira da empresa, montante que pode vir em aportes do Tesouro ou em novo empréstimo.

Impactos fiscais e próximos passos

O déficit de R$ 4,16 bilhões nos dois primeiros meses coloca pressão sobre o monitoramento fiscal do governo, porque reduz a margem para outras despesas sem aumento da dívida.

Analistas e gestores públicos deverão acompanhar de perto a evolução do caixa das estatais, decisões sobre aportes e novos empréstimos, e revisões em contratos para tentar conter a escalada do rombo.

A combinação de déficits significativos em diversas estatais pode levar o Tesouro a medidas de apoio seletivo, com efeitos diretos nas contas públicas e na prioridade por cortes ou realocações de recursos.

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