Equipamento criado na Universidade de Caxias do Sul promove estímulo eficiente e confortável para recuperação motora de pacientes com sequelas
Um novo aparelho desenvolvido na Universidade de Caxias do Sul está transformando o tratamento de pessoas que enfrentam sequelas motoras decorrentes de problemas neurológicos, como AVC. O dispositivo automatizado realiza a mobilização dos membros inferiores, função que até então era feita manualmente, oferecendo maior conforto e aumentando as chances de melhora na qualidade de vida dos pacientes.
Após anos de estudos e investimento superior a R$ 3 milhões, a tecnologia tem apresentado resultados surpreendentes, contribuindo para acelerar a recuperação motora e reduzir complicações associadas à imobilidade. O aparelho está em fase de testes clínicos, com relatos positivos, como o caso de uma jovem que recuperou a capacidade de andar sem cadeira de rodas.
O avanço representa um passo importante para a fisioterapia, com potencial para beneficiar milhares de pessoas e revolucionar a forma de tratar sequelas motoras no Brasil.
Mobilização passiva automatizada amplia benefícios na fisioterapia
O aparelho conhecido como Autofisio 500 realiza uma mobilização passiva dos membros inferiores, uma técnica essencial para pacientes acamados ou com mobilidade reduzida devido a sequelas neurológicas. O estímulo repetitivo e controlado ajuda a evitar rigidez articular, perda de força muscular, dores, edema e problemas circulatórios.
Segundo a fisioterapeuta responsável pelo desenvolvimento do dispositivo, Fernanda Trubíán, o equipamento aumenta significativamente as chances de recuperação ao preservar as funções musculoesqueléticas e favorecer a circulação sanguínea. O procedimento automatizado torna o tratamento mais confortável para o paciente e menos desgastante para os profissionais de saúde.
Histórias de sucesso comprovam eficácia do equipamento
Uma das pacientes que participam dos testes clínicos é Ana Moraes, de 26 anos, que sofreu um AVC em abril de 2025. Após ficar 21 dias internada e 15 deles em coma induzido, a jovem acordou sem conseguir falar, escrever ou movimentar o lado direito do corpo.
Com o auxílio do Autofisio 500 em sua rotina de reabilitação, Ana vem mostrando uma evolução considerada surpreendente por sua equipe médica. Ela já não depende mais de cadeira de rodas e usa apenas uma órtese para longas caminhadas. A paciente destaca o privilégio de ter acesso à tecnologia, que tem feito diferença em seu processo de recuperação.
Desenvolvimento exige investimentos e dedicação para aprimoramento
O projeto de criação do Autofisio 500 durou cinco anos, com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e parceria com o setor privado. Coordenado pelo diretor-técnico do Hospital Geral de Caxias do Sul, Alexandre Avido, o grupo investiu em pesquisa para garantir que o equipamento seja seguro e eficaz.
Fernanda Trubíán ressalta a responsabilidade de continuar a pesquisa para aprimorar a tecnologia e ampliar seus benefícios, tanto para os pacientes quanto para os profissionais que atuam na fisioterapia clínica. O sucesso do aparelho representa um marco na reabilitação, especialmente para pessoas com sequelas motoras causadas por doenças neurológicas.
