Governo dos EUA aplica novas regras para medicamentos importados, com tarifas de 100% para quem não transferir produção e acordos para reduzir preços, e limites em tratativas comerciais
O presidente dos Estados Unidos determinou um pacote de tarifas que atinge medicamentos de marca importados, como parte de uma estratégia para estimular produção doméstica e recompor receita perdida após decisões judiciais.
As regras exigem que fabricantes estrangeiras firmem acordos com o governo para reduzir preços e, simultaneamente, transfiram a produção para solo americano, sob risco de tarifas elevadas.
As informações desta reportagem foram obtidas a partir do material publicado pelo g1, conforme informação divulgada pelo g1.
O que muda na prática para as farmacêuticas
Segundo a Casa Branca, empresas que não atenderem às duas exigências enfrentarão uma tarifa de 100% sobre determinados medicamentos de marca importados.
Em alternativa, fabricantes que só transferirem parte da produção para os Estados Unidos pagarão uma tarifa de 20%, e apenas aquelas que fizerem ambas as ações ficarão totalmente isentas das novas taxas.
Uma autoridade do governo informou que grandes farmacêuticas terão 120 dias para cumprir as regras, enquanto produtores menores terão 180 dias antes da aplicação das tarifas de 100%.
Percentuais, exceções e acordos comerciais
As taxas não valem igualmente para todos os parceiros, pois foram previstas exceções. Em acordos comerciais com União Europeia, Japão, Coreia do Sul e Suíça, as taxas sobre medicamentos de marca serão limitadas a 15%.
Além disso, os Estados Unidos e o Reino Unido fecharam um acordo separado para o setor farmacêutico que garante tarifa zero para medicamentos produzidos no Reino Unido por pelo menos três anos, enquanto o Reino Unido amplia a produção em território americano.
Contexto legal e objetivo político
O novo pacote chega na esteira de medidas anunciadas há um ano, conhecidas como o “Dia da Libertação”, quando o governo impôs tarifas recíprocas sobre uma série de importações.
Em fevereiro, a Suprema Corte declarou ilegais as tarifas anteriores, e uma instância inferior determinou que a agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras elaborasse um plano para devolver cerca de US$ 166 bilhões arrecadados ao longo de um ano.
Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA, afirmou que a política tarifária é um “botão de reinicialização” para um sistema comercial considerado falho, e disse, “O melhor ainda está por vir, à medida que o programa tarifário do presidente Trump incentiva a produção doméstica, eleva os salários dos trabalhadores e fortalece nossas cadeias de suprimentos críticas“.
Reação da indústria e riscos ao consumidor
Grupos empresariais reagiram com alerta sobre impacto de custos. A Câmara de Comércio dos EUA afirmou que o ano de tarifas já elevou preços e aumentou custos para vários setores, e que as novas medidas podem provocar novos aumentos.
Neil Bradley, diretor de políticas da entidade, declarou, “Um novo e complexo sistema tarifário sobre medicamentos elevará os custos de saúde para as famílias americanas“, e acrescentou que alterações nas tarifas de metais também devem pressionar manufatura, construção e energia.
Por outro lado, representantes da indústria do aço elogiaram ajustes na lista de produtos e na metodologia, argumentando que as tarifas permanecem focadas no fortalecimento da indústria siderúrgica americana sem prejudicar objetivos econômicos mais amplos.
Especialistas e empresas agora avaliam o impacto das novas tarifas sobre medicamentos importados, procurando entender como a exigência de transferência de produção, acordos de preços e exceções comerciais vão se traduzir em disponibilidade e custo dos remédios para consumidores.
