Ovo de Páscoa: por que a troca de ovos de galinha virou símbolo cristão e como confeiteiros na França transformaram a tradição em ovo de chocolate

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Da antiguidade às cortes europeias e às prateleiras de hoje, entenda por que o ovo simboliza renovação, como ganhou decoração nobre e quando virou doce popular

A tradição de trocar ovos tem raízes antigas, ligada à ideia de renovação e fertilidade que atravessa civilizações. Presentes simples, como ovos de galinha, marcaram celebrações sazonais desde antes do cristianismo.

Com o tempo, a prática ganhou camadas de significado e de sofisticação, passando por decorações coloridas, presentes nobres e, finalmente, pelo chocolate. A transformação envolveu religião, arte e a evolução da confeitaria.

Nas linhas a seguir, explicamos como o símbolo do ovo se incorporou à Páscoa cristã, quando se tornou artigo de luxo e como, entre os séculos 17 e 18 na França, o ovo ganhou versão doce, recheada e moldada em chocolate, conforme informação divulgada pelo g1.

Origens e simbolismo

Desde a antiguidade, o ovo é percebido como símbolo de renovação, por ser a partir dele que nascem muitos animais, segundo a especialista Karla Nery, instrutora de confeitaria no Centro de Aperfeiçoamento em Gastronomia do Senac.

O papel do ovo nas celebrações do início da primavera acrescentou o sentido de renascimento, e a figura do coelho também se associa à ideia de fertilidade, porque, como diz Karla Nery, “O coelho, outro ícone da Páscoa, também está ligado à ideia de fertilidade, por se reproduzir com facilidade”.

Em muitas culturas antigas, ovos eram dados como presente, depois cozidos e consumidos, conforme registra Katia, com a frase exata, “Depois da troca, eles cozinhavam e comiam os ovos”.

Incorporação ao cristianismo

Com a expansão do cristianismo, a simbologia do ovo foi assimilada às festas da renovação espiritual. A enciclopédia Britannica descreve essa ligação dizendo, “Como Jesus que ressuscitou, o ovo simbolizava uma nova vida emergindo da casca do ovo”, imagem que ajudou a consolidar o ovo como presente de Páscoa.

Assim, o gesto de ofertar um ovo passou a dialogar com a ideia cristã de ressurreição, mantendo, ao mesmo tempo, elementos das celebrações pagãs de primavera.

Dos ovos decorados ao luxo das cortes

Na Idade Média e na Europa moderna, a prática evoluiu e ganhou requinte. Registros citam que, no século 12, o rei francês Luís VII recebeu ovos ao voltar da Segunda Cruzada, ritual que se espalhou entre a nobreza.

A elite europeia encomendou ovos em materiais preciosos, como porcelana, vidro e ouro, tradição que inspirou os famosos Ovos Fabergé, criados pelo joalheiro russo Peter Carl Fabergé, um dos quais foi avaliado em US$ 20 milhões em 2014, segundo a BBC.

Quando e como surgiram os ovos de chocolate

A transformação mais decisiva para o que encontramos nas prateleiras ocorreu entre os séculos 17 e 18 na França. Confeiteiros criaram moldes de ovos recheados com mistura de ovos, açúcar e chocolate, dando origem à versão doce da tradição.

No começo, os ovos eram feitos de um chocolate mais amargo e denso, e só ganharam o sabor suave que conhecemos com a evolução da confeitaria, com a adição de leite, manteiga de cacau e mais açúcar.

Hoje, o ovo de Páscoa combina simbolismo antigo e inovação culinária, indo do simples ovo pintado de beterraba e açafrão às elaboradas versões de chocolate, recheadas e decoradas, que dominam as celebrações contemporâneas.

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