Investidores cobram informações detalhadas sobre o impacto ambiental de data centers dos maiores grupos de tecnologia em contexto de expansão da inteligência artificial
Gigantes da tecnologia como Amazon, Microsoft e Google vêm enfrentando uma pressão sem precedentes de investidores que exigem maior transparência sobre o consumo de água e energia em seus data centers localizados nos Estados Unidos.
O crescimento acelerado da infraestrutura para inteligência artificial tem impulsionado o uso de recursos naturais, especialmente energia e água, levando acionistas a buscar dados mais precisos e estratégias robustas para minimizar os impactos ambientais.
Entender os desafios e as respostas dessas empresas nesse cenário é fundamental para avaliar não só o desempenho econômico, mas também a sustentabilidade das operações digitais que sustentam boa parte da economia global.
Consumo de água e energia dos data centers: um volume comparável à demanda de grandes cidades
Segundo estudos recentes, os data centers na América do Norte utilizaram quase 1 trilhão de litros de água em 2025, uma quantidade próxima ao consumo anual de uma metrópole como Nova York. Essa imensa demanda hídrica tem acionado um alerta entre investidores e ambientalistas.
Apesar do avanço na adoção de tecnologias mais eficientes, como sistemas de resfriamento em circuito fechado, as informações divulgadas pelas empresas ainda carecem de detalhamento e padronização, o que dificulta a avaliação precisa dos riscos e impactos ambientais.
Por exemplo, a Meta divulgou apenas o consumo de água em suas unidades próprias, omitindo dados sobre unidades alugadas ou em construção. De 2020 a 2024, o uso de água da empresa aumentou 51%, atingindo 5.637 megalitros, volume suficiente para abastecer mais de 13 mil residências por um ano.
O Google comunicou os dados de unidades próprias e alugadas, mas não informou sobre instalações operadas por terceiros. Já Amazon e Microsoft apresentaram números totais sem discriminação por unidade, faltando transparência considerada essencial por investidores para entender a gestão ambiental e os planos de compensação hídrica.
Pressão dos acionistas por metas claras e acompanhamento dos impactos locais
Investidores institucionais, como a gestora Trillium Asset Management, que administra mais de 4 bilhões de dólares, têm apresentado resoluções exigindo que as empresas esclareçam como pretendem cumprir metas climáticas diante da crescente demanda energética dos data centers.
Nos compromissos firmados em 2020, a Alphabet, controladora do Google, prometeu reduzir pela metade suas emissões e utilizar energia livre de carbono até 2030. Contudo, as emissões aumentaram 51%, gerando preocupação e sentimento de falta de transparência entre acionistas.
Além disso, grupos como a Green Century Capital Management dialogam com outras empresas relevantes de tecnologia para evitar que ganhos rápidos com inteligência artificial se traduzam em problemas climáticos e financeiros a médio e longo prazo.
Reação das empresas e a relação com as comunidades locais
Frente às críticas, Amazon afirma estar ampliando a divulgação individualizada dos dados de consumo, investindo em eficiência energética e esforços para redução do uso de água, assumindo compromisso com as comunidades onde atua.
Já a Microsoft reforça que a sustentabilidade é um valor central e enfatiza o trabalho para enfrentar desafios ambientais com soluções duradouras. O Google optou por não fazer comentários recentes, enquanto a Meta não respondeu aos pedidos de esclarecimento.
Especialistas ressaltam que ainda falta informação suficiente sobre os efeitos locais do consumo de água. Para analistas, é fundamental que as empresas demonstrem de forma clara o impacto em recursos locais para garantir que as comunidades não sofram pressão adicional das operações.
O vice-presidente da Data Center Coalition destacou que esse engajamento se tornou prioridade e que a transparência no uso de água e energia é crucial para que os moradores locais tenham confiança de que os projetos não comprometerão recursos essenciais.
O desafio da sustentabilidade em data centers na era da inteligência artificial
À medida que a inteligência artificial se torna mais integrada ao cotidiano e aos negócios, a necessidade de infraestrutura robusta cresce, impulsionando o consumo energético e hídrico. Data centers dedicados a IA podem consumir energia equivalente ao consumo de milhões de residências.
Portanto, o desafio para Amazon, Microsoft, Google e outras empresas do setor é equilibrar a expansão técnica com objetivos claros de sustentabilidade, atendendo a uma demanda crescente por responsabilidade ambiental e transparência por parte dos investidores e da sociedade.
