Relatório americano afirma que o Pix pode receber tratamento preferencial do Banco Central, criando risco à competitividade de fornecedores de pagamentos dos Estados Unidos
Um relatório do governo dos Estados Unidos voltou a apontar o Pix como fonte de preocupação para empresas americanas do setor de pagamentos.
O documento ressalta que o Banco Central criou e regula o sistema, e que há temor de favorecimento que prejudicaria gigantes como Visa e Mastercard.
O texto reafirma que o uso do Pix é obrigatório para instituições com grande base de clientes, o que agrava as dúvidas sobre igualdade de condições no mercado, conforme informação divulgada pelo g1
O que diz o relatório americano
O documento, identificado como o Relatório de Estimativa do Comércio Nacional de 2026, do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, enfatiza suspeitas sobre a conduta do Brasil em serviços de pagamento eletrônico.
No texto, o governo dos EUA afirma que “O Banco Central criou e regula o Pix; stakeholders dos EUA temem que o BC [Banco Central] dê tratamento preferencial ao sistema, prejudicando fornecedores americanos de serviços de pagamentos eletrônicos. O uso do Pix é obrigatório para instituições com mais de 500.000 contas.”
O relatório também recorda episódios anteriores, mencionando que em julho de 2025 o Pix já havia entrado na mira do governo americano como potencial risco à concorrência.
Acusações de práticas desleais e outras críticas
Além do foco no sistema de pagamentos, o relatório diz que “O Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”.
A menção amplia a avaliação para um conjunto de medidas regulatórias e políticas que, conforme o texto, poderiam afetar desproporcionalmente empresas dos EUA.
Dados e trechos sobre outros setores citados
O relatório não se limita ao Pix, ele aborda também questões ambientais e trabalhistas. Sobre mineração ilegal de ouro, afirma que “Relatórios indicam que o ouro ilícito representa 28% da atividade de mineração total no país”.
Em relação à extração de madeira, o documento estima impactos significativos, com a passagem que afirma que o relatório extima que quase ‘50% da madeira colhida no Brasil — e 90% da madeira da Amazônia brasileira — seja ilegal’.
O texto lista ainda temas como leis trabalhistas, a proposta de regulação conhecida como PL dos Mercados Digitais, a Taxa de uso de rede, a regulamentação da Lei Geral de Proteção de Dados e regras para satélites.
O que muda para o mercado e para o Pix
Para especialistas e empresas americanas citadas no relatório, a principal preocupação é que um tratamento preferencial do Estado ao Pix reduza a concorrência e a participação de fornecedores estrangeiros no mercado brasileiro de pagamentos.
Do ponto de vista regulatório, perguntas sobre exigências de uso, critérios de designação em projetos de lei e contratos de dados alimentam a percepção de risco. O relatório ressalta que o PL dos Mercados Digitais, se aprovado com os critérios atuais, “afetaria desproporcionalmente empresas dos EUA e permitiriam multas de até 20% do faturamento global”.
O documento também aponta diferenças de tratamento em áreas como operação de satélites, onde operadores estrangeiros teriam direitos menos favoráveis que empresas brasileiras.
Em resumo, a avaliação americana combina preocupações sobre competição no setor de pagamentos, impactos regulatórios em empresas estrangeiras e questões socioambientais, com o Pix aparecendo como ponto central das objeções levantadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos.
