A alta do dólar sobe veio após novas declarações do presidente dos EUA sobre ações contra o Irã, com preços do petróleo em forte avanço e reação negativa das bolsas
O câmbio abriu em alta nesta quinta-feira, com o dólar sobe 0,22% por volta das 10h30, sendo negociado a R$ 5,1681.
Ao mesmo tempo, o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, recuava 0,46%, aos 185.214 pontos, em dia de maior aversão ao risco.
Na véspera, a moeda americana havia recuado 0,43%, cotada a R$ 5,1566, enquanto o Ibovespa tinha avançado 0,26%, aos 187.953 pontos, conforme informação divulgada pelo g1.
Causa imediata, fala de Trump e temores sobre o Estreito de Ormuz
O movimento começou após declarações do presidente dos Estados Unidos sobre o conflito com o Irã, quando ele afirmou que o país está perto de atingir seus objetivos em Teerã, descartou um cessar-fogo, e disse que os bombardeios devem se intensificar nas próximas duas a três semanas.
Em sua fala, Trump afirmou, traduzido para o português, “Vamos terminar o trabalho, e vamos fazê-lo muito rápido. Estamos chegando muito perto“, frase que ampliou a aversão ao risco entre investidores.
Antes do pronunciamento, houve relatos de explosões em Dubai e tentativas de interceptação de mísseis iranianos, o que reforçou temores sobre interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
Petróleo dispara acima de US$108 e puxa câmbio
Os preços do petróleo subiram mais de 7% com a escalada geopolítica, elevando custos esperados para combustíveis e logística.
Por volta das 8h15, o Brent avançava 7,28%, cotado a US$ 108,52 por barril, e o WTI subia 7,88%, a US$ 108,01 por barril.
Sem sinais claros de fim do conflito e sem cronograma para normalização do fornecimento, investidores passaram a precificar risco de desabastecimento, o que pressionou o dólar sobe e ativos de risco.
Reação dos mercados globais e indicadores locais
Nos EUA, os contratos futuros indicavam queda, com o Dow apontando recuo de 641 pontos, ou 1,37%, e o S&P 500 recuando 1,48%, enquanto o Nasdaq 100 registrava queda de 1,87%.
Na Europa, o índice STOXX Europe 600 recuava 1,43%, aos 589,16 pontos, o FTSE 100 caía 0,6%, o CAC 40 recuava 1,3%, e o DAX perdia 2,4%.
Na Ásia, bolsas também fecharam no vermelho, com o Hang Seng caindo 0,7%, aos 25.116,53, o Shanghai Composite recuando 0,7% para 3.919,29, o Nikkei 225 caindo 2,4% para 52.463,27, e o Kospi registrando queda de 4,5%, encerrando aos 5.234,05.
Metais preciosos perderam valor, com o ouro caindo 3,9% para US$ 4.627 por onça, e a prata recuando 6,9% para US$ 70,85.
No Brasil, investidores também observam dados locais, com a expectativa do mercado sendo de alta de 0,7% na produção industrial referente a fevereiro.
Impactos imediatos e o que acompanhar
Além do efeito direto no câmbio e nas ações, a combinação de dólar sobe e petróleo mais caro pode pressionar a inflação, elevar custos de transporte e pressão sobre preços de combustíveis, incluindo passagens aéreas.
Outra notícia relevante foi a retirada de sanções contra a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, medida publicada no site do Departamento do Tesouro dos EUA, elemento que também altera percepções políticas e comerciais na região.
Para os próximos dias, mercados vão acompanhar desdobramentos das ações militares e declarações oficiais, a divulgação de dados econômicos locais, e a evolução dos preços do petróleo, fatores que seguem determinando se o dólar sobe de forma sustentada ou se haverá recuo.
