Como falas de Trump sobre a guerra no Oriente Médio fazem o preço do petróleo oscilar, e por que o mercado reage mais a expectativas que à oferta

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Declarações do presidente dos EUA e respostas do Irã mudam rapidamente as expectativas do mercado, provocam altas e quedas no preço do petróleo e elevam a volatilidade global

As falas de líderes políticos, em especial do presidente dos EUA, têm movido o mercado de forma rápida, gerando oscilações pronunciadas no preço do petróleo.

Em reação a sinais de negociação ou a desmentidos, investidores revisam expectativas sobre riscos de oferta, e cotações sobem ou caem em questão de minutos.

Conforme informação divulgada pelo g1, episódios recentes mostram como mensagens públicas alteraram imediatamente o comportamento dos preços.

Como as declarações impactam o mercado

O mercado reage menos a mudanças imediatas na produção, e mais à percepção de risco, explica Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, porque qualquer indicação de melhora no fluxo pelo Estreito de Ormuz reduz o temor de interrupções.

Quando surgem sinais de negociação, a tensão dos investidores diminui, com isso o medo de problemas no transporte de petróleo também recua, e o preço do petróleo tende a cair.

Casos recentes e números

Um exemplo recente ocorreu quando, após discurso de Donald Trump sobre a guerra, o preço do petróleo Brent teve alta de 4,9%, chegando a US$ 106,16 (cerca de R$ 547,78) por barril nesta quinta-feira (2), segundo o levantamento divulgado.

Em outro episódio, a primeira postagem de Trump sobre possíveis negociações levou o barril a cair quase US$ 15 em poucos minutos, mesmo sem confirmação de cessar-fogo.

Ao longo do conflito, o petróleo subiu de cerca de US$ 70 para US$ 110, gerando uma crise energética que reforça a sensibilidade do mercado a notícias.

Por que as mensagens pesam mais que a oferta

Bassam Fattouh, diretor do Oxford Institute for Energy Studies, afirmou, “A administração dos EUA tem intervindo pesadamente no mercado de petróleo por meio de fluxos de informação e mensagens, que nem sempre são precisas ou corretas”, o que, segundo ele, tende a aumentar a volatilidade no curto prazo.

Javier Blas, colunista de energia e commodities da Bloomberg, descreveu a estratégia como “jawboning”, um uso de discurso público para influenciar o mercado. Ele escreveu que “O presidente Donald Trump fez intervenções verbais constantes e eficazes”, e que esse comportamento ajudou a conter compras motivadas por pânico.

O que acompanhar daqui para frente

Investidores e governos devem olhar para sinais concretos de negociação, comunicações oficiais e respostas do Irã, já que desmentidos ou versões conflitantes podem reverter movimentos em questão de dias.

Como ressaltam analistas, a dinâmica atual indica que o preço do petróleo continuará sensível a notícias e a discursos públicos, mais ainda do que a alterações imediatas na produção.

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