Pacientes apresentaram reações após uso de canetas emagrecedoras sem autorização da Anvisa, fiscalização apreendeu ampolas e agora apura quem fornecia os produtos e como funcionava o esquema
Pacientes atendidos em duas clínicas de Monte Alto relataram efeitos colaterais após aplicação de canetas emagrecedoras, e precisaram de atendimento em unidades de saúde e no pronto socorro.
Uma operação da Vigilância Sanitária, com apoio da Guarda Civil Municipal e da Polícia Civil, resultou na apreensão de ampolas de tirzepatida armazenadas sem comprovação de procedência e na abertura de investigação sobre a comercialização irregular.
Dois profissionais foram presos em flagrante, e a Secretaria de Saúde instaurou processos administrativos, sem lacrar os estabelecimentos, para não interromper atendimentos, conforme informação divulgada pelo g1.
Investigação e prisões
Segundo o delegado Marcelo Lorenço dos Santos, as duas clínicas alvo da operação agiam em conjunto e faziam indicação mútua de clientes. O delegado afirmou, “O que se descortinou nessa investigação é que uma clínica era indicada pela outra. Então, os pacientes da clínica de estética eram arregimentados pela pessoa lá e esses pacientes tinham acesso a esse medicamento comercializado de forma irregular pela outra clínica”.
As suspeitas presas em flagrante são a biomédica Sinara Correa de Oliveira e a técnica de enfermagem Ivane Rosa da Silva. Sinara pagou fiança de R$ 1,6 mil e foi liberada. Ivane foi liberada na quarta-feira, 1º, após audiência de custódia.
As duas profissionais devem responder por falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins medicinais, entre outras apurações que a investigação ainda deve esclarecer.
Apreensões e riscos à saúde
Nas duas clínicas fiscalizadas foram encontradas, de acordo com a apuração, ampolas de tirzepatida guardadas em geladeiras sem comprovação de procedência. O delegado ressaltou que “Ele não pode ser comercializado sem autorização da Anvisa e essas duas clínicas não tinham essa autorização”.
Também foram encontradas fichas de atendimento que indicavam cronogramas de aplicação, posologia e tabelas com evolução de peso dos pacientes, o que motivou as autoridades a aprofundarem a investigação sobre quem abastecia as unidades.
Em nota citada pela reportagem, a Vigilância Sanitária afirmou que “Esses pacientes precisaram de atendimento, seja no Pronto Socorro, seja nas unidades de saúde, por efeitos colaterais que teriam sido fruto desse uso. A partir daí, a Vigilância Sanitária foi integrada à ação que chegou aos dois estabelecimentos”.
Medidas administrativas e próximos passos
A Secretaria de Saúde abriu processos administrativos para apurar responsabilidades, mas optou por não lacrar os estabelecimentos, para que outros profissionais possam manter a rotina de atendimento à população.
As defesas das suspeitas afirmaram posições diferentes, uma alegando uso pessoal dos produtos apreendidos e outra ressaltando atuação técnica sem histórico de irregularidades. A Polícia Civil agora busca identificar fornecedores das ampolas e possíveis redes de comercialização irregular.
A investigação segue, com análise das apreensões e dos registros encontrados, e as autoridades prometem mais esclarecimentos à medida que novas provas forem coletadas.
