Caneta que detecta tumor em segundos, invenção da química Lívia Eberlin promete cirurgias mais precisas após mais de 400 testes e avaliação no Brasil

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Caneta que detecta tumor usa gota de água e inteligência artificial para identificar células cancerosas em tempo real, com testes em centros renomados dos EUA e hospitais brasileiros

A caneta criada pela química brasileira Lívia Eberlin promete transformar o modo como cirurgias oncológicas são feitas, ao permitir identificar tecido canceroso em segundos, durante o procedimento.

O dispositivo libera uma pequena gota de água que extrai moléculas do tecido, e um sistema analítico com inteligência artificial indica se a área é saudável ou tumoral em tempo real.

O desenvolvimento já passou por mais de 400 cirurgias nos Estados Unidos e iniciou avaliação em hospitais brasileiros, conforme informação divulgada pelo g1.

Como funciona a caneta que detecta tumor

A tecnologia age como uma espécie de sensor químico portátil, em que a gota de água retira moléculas da superfície do tecido e um analisador interpreta o padrão molecular.

Com auxílio de algoritmos de inteligência artificial, o sistema distingue, em segundos, entre tecido saudável e células tumorais, tornando a decisão do cirurgião mais rápida e precisa.

Na explicação da própria criadora, “O ideal seria levar a tecnologia do laboratório para a sala cirúrgica, de forma simples”, afirma Lívia Eberlin, citada em reportagem do g1.

Resultados, testes e campos de aplicação

Segundo as informações divulgadas, a caneta já foi utilizada em mais de 400 cirurgias nos Estados Unidos, incluindo casos de câncer de mama, pulmão, cérebro, ovário e pâncreas.

Centros como o MD Anderson Cancer Center participaram dos testes, e no Brasil o equipamento passa por avaliações em hospitais como o Albert Einstein e a Unicamp.

Os dados iniciais mostram que a caneta que detecta tumor pode reduzir o tempo de decisão intraoperatória e aumentar a precisão na remoção do tecido afetado.

Resistência inicial e a trajetória de Lívia Eberlin

O projeto enfrentou ceticismo no começo, com críticos afirmando que a ideia era simples demais, mas a comprovação veio com os resultados dos protótipos e testes.

Lívia relatou dificuldades pessoais ao se estabelecer nos Estados Unidos, com relatos concretos de preconceito: “Os profissionais meio que subestimavam a minha capacidade como mulher, como latino-americana”.

Ela também descreve a sensação de não pertencimento, dizendo, “Eu olhava para as paredes do departamento e só via homens. Isso faz você se perguntar se realmente pertence àquele lugar”.

Como resposta, a cientista conta que seu método foi focar no desempenho, “Meu mecanismo era fazer o melhor trabalho possível, tirar as melhores notas”.

Próximos passos e potencial de adoção global

A equipe de Lívia trabalha para ampliar o acesso à caneta que detecta tumor e levá‑la a mais hospitais ao redor do mundo, com ajustes regulatórios e novos ensaios clínicos em curso.

Sobre a ambição do grupo, ela afirma, “Tenho uma equipe maravilhosa que trabalha comigo, os meus alunos, os meus pós-doutorandos e nós todos estamos trabalhando dia e noite para trazer a caneta para o máximo de hospitais do mundo”.

Se adotada em larga escala, a tecnologia pode acelerar diagnósticos intraoperatórios, reduzir reoperações e tornar procedimentos oncológicos mais eficientes e seguros, segundo as pesquisas em andamento.

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