MP denuncia trio por tortura em Etec, investigação aponta agressões com alicates e faca, dois adolescentes internados e maior de idade teve prisão convertida para preventiva
Três alunos foram denunciados pelo Ministério Público por agressões a calouros que ocorriam dentro do alojamento de uma Etec, com relatos de ferimentos causados por alicate e atos de humilhação.
Dois dos investigados são adolescentes de 15 e 16 anos, e o terceiro é o estudante de 18 anos Kauê Vinicius Souza, que teve a prisão temporária convertida em preventiva, e segue detido.
Os suspeitos estão presos desde 14 de março, o inquérito foi finalizado em 19 de março, e o caso já teve denúncia aceita pela Justiça, conforme informação divulgada pelo g1.
Como a denúncia e a investigação avançaram
O caso foi registrado em 11 de março, depois que familiares de uma vítima foram ao alojamento e acionaram a polícia. As autoridades representaram por mandados de busca e apreensão e por prisão temporária contra os três investigados.
Segundo o relatório policial encaminhado ao Ministério Público, a investigação concluiu que os envolvidos praticaram os crimes de tortura, constrangimento ilegal e lesão corporal, e os documentos contra os adolescentes foram aceitos pela Justiça.
Na delegacia, foram apreendidos os celulares dos três indiciados, além de dois alicates e uma faca, itens que constam no relatório de investigação.
Acusações, provas e relatos das vítimas
Relatos apontam que os abusos ocorriam principalmente à noite, durante a semana, e incluíam agressões físicas e humilhações. Ao menos cinco calouros teriam sido vítimas, e havia um juramento que impedia exposições do caso.
Um dos episódios veio à tona quando a família de um calouro percebeu um ferimento no peito provocado por um alicate, ao retornar para casa, e procurou as autoridades. Em vídeos encontrados nos celulares dos investigados há registros das agressões, e em uma gravação um dos menores diz, “já sofri demais hoje”, ao se recusar a ir ao local das agressões.
Medidas tomadas pela escola e pela administração
A Etec Engenheiro Agrônomo Narciso de Medeiros publicou nota em que repudia os fatos, e informou que foi criado um comitê de crise, que teve como primeira medida o “afastamento imediato dos 3 alunos envolvidos”.
O Centro Paula Souza informou que apura rigorosamente os fatos para aplicação das medidas legais cabíveis, e que os alunos seguem com atividades remotas até o fim dos trâmites legais, além de afirmar que “O CPS repudia todo e qualquer ato de violência, dentro ou fora do ambiente escolar, e presta auxílio aos estudantes e suas famílias”.
Situação processual e próximos passos
Os dois adolescentes permanecem internados de forma provisória na Fundação Casa de Peruíbe, enquanto Kauê está detido no Centro de Detenção Provisória de Registro, segundo consta nos autos.
A Justiça marcou uma audiência de apresentação, instrução e debates para o dia 13 de abril, às 13h30, quando os menores deverão ser ouvidos, assim como testemunhas do caso, e o processo seguirá sua tramitação.
Autoridades, família das vítimas e a unidade escolar dizem aguardar a conclusão das medidas judiciais e administrativas, enquanto a investigação segue como base para as ações do Ministério Público e da Justiça.
