Plano de dez pontos da AIE, apoiado pela Comissão Europeia, pede ações imediatas para reduzir demanda, preservar estoques e mitigar impactos da crise de energia sobre famílias e empresas
A Comissão Europeia, por meio do comissário para a energia, Dan Jorgensen, pediu aos países-membros que se preparem para interrupções prolongadas nas cadeias de fornecimento de energia, enquanto a guerra no Irã pressiona mercados de petróleo e gás.
As recomendações incluem práticas cotidianas, como aumentar o teletrabalho, e medidas estruturais, como adiar manutenção de refinarias e garantir armazenamento de gás para o próximo inverno.
O objetivo é economizar combustível e reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, diante da elevação de preços e do risco de escassez por tempo prolongado.
conforme informação divulgada pelo g1
O que propõem a Comissão e a AIE
O apelo de Jorgensen incentiva a adoção do plano de dez pontos elaborado pela Agência Internacional de Energia, que inclui incentivo ao home office, car sharing, uso do transporte público, redução do limite de velocidade em autoestradas, medidas para uso de energia elétrica em vez de gás de cozinha, e redução de viagens aéreas.
Jorgensen instou os 27 países-membros a começarem a implementar essas medidas e a agir juntos, citando a necessidade de proteger cidadãos e empresas.
Ele afirmou, textualmente, “Não devemos nos iludir: as consequências desta crise para os mercados de energia não serão de curta duração. Porque não serão“.
Impacto imediato nos preços e na conta das importações
Desde o início do conflito no Oriente Médio, os preços na UE subiram cerca de 70% para o gás e 60% para o petróleo, e, em 30 dias de conflito, essa alta já acrescentou 14 bilhões de euros aos custos de importação de combustíveis fósseis da UE.
Ministros estudam como lidar com uma escassez global diária estimada em 11 milhões de barris de petróleo e de mais de 300 milhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito (GNL), provocada pela guerra no Irã.
O chefe da AIE, Fatih Birol, alertou que “A perda de petróleo em abril será o dobro da perda de março, além da perda de GNL“, e que “O maior problema hoje é a falta de querosene de aviação e diesel. Estamos vendo isso na Ásia, mas creio que logo, em abril ou maio, chegará à Europa“.
Pressão sobre transportes e dependência do Golfo Pérsico
O comissário afirmou que o setor de transportes europeu enfrenta custos crescentes e escassez de suprimentos devido à forte dependência do setor em relação ao Golfo Pérsico, de onde a UE depende para mais de 40% de suas importações de querosene de aviação e diesel.
Ele também disse, citando as preocupações de segurança, “A segurança do abastecimento da União Europeia continua garantida. Mas temos de estar preparados para uma possível interrupção prolongada do comércio internacional de energia“.
Na mesma mensagem, Jorgensen afirmou, “É por isso que precisamos de agir já. E precisamos de agir em conjunto“.
Reações, estoques estratégicos e próximos passos
Em resposta às pressões, os 32 membros da AIE liberaram 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas, o maior desbloqueio de estoques da história da organização.
O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, advertiu que “Se esta guerra se transformar num grande conflito regional, poderá sobrecarregar a Alemanha e a Europa ainda mais do que vivenciamos recentemente durante a pandemia da covid-19 ou no início da guerra na Ucrânia“.
As recomendações da UE visam reduzir a demanda imediata, aliviar gargalos no refino e ganhar tempo para aumentar a resiliência dos sistemas energéticos, com medidas que vão do cotidiano ao estratégico, como reforço de armazenamento e coordenação entre países.