Artemis II: NASA pode lançar missão tripulada à Lua nesta quarta, veja horário, tripulação, trajeto de retorno livre e riscos técnicos corrigidos

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Artemis II parte nesta quarta-feira com quatro astronautas a bordo da cápsula Orion, lançamento previsto para 19h24, janela de duas horas, missão de cerca de 10 dias e testes essenciais para o pouso da Artemis III

A NASA se prepara para um marco histórico nesta quarta-feira, a tentativa de lançamento da Artemis II, a primeira missão tripulada ao redor da Lua desde 1972.

A decolagem está prevista para as 19h24, horário de Brasília, a partir da plataforma 39B do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, com uma janela de cerca de duas horas para a tentativa inicial.

A missão terá aproximadamente 10 dias e não prevê pouso lunar, o foco sendo a verificação de sistemas em ambiente de espaço profundo e a preparação para a futura Artemis III, conforme informação divulgada pelo g1.

Como será a missão e por que ela importa

A Artemis II levará quatro tripulantes na cápsula Orion, lançada pelo megafoguete SLS, classificado pela NASA como seu “mais poderoso foguete”. O SLS tem cerca de 98 metros de altura, produz cerca de 4 milhões de kg de empuxo, o equivalente a 14 aviões Boeing 747, e usa dois propulsores laterais de combustível sólido e um estágio central com quatro motores RS-25.

Após o lançamento, a Orion e seu estágio superior entrarão em órbita terrestre por cerca de um dia para checagens e testes de controle manual, incluindo uma aproximação simulada a um segmento do foguete já descartado.

Em seguida, a trajetória levará a cápsula a um sobrevoo lunar por trás do lado oculto do satélite, com perda temporária de comunicação de 30 a 50 minutos, e até aproximadamente 7.500 km além da Lua, superando o recorde da Apollo 13 e alcançando o ponto mais distante que humanos já estiveram da Terra. Ao todo, a nave viajará mais de 2,2 milhões de quilômetros.

Quem vai à Lua, funções e importância internacional

A tripulação é formada por Reid Wiseman, comandante; Victor Glover, piloto; Christina Hammock Koch, especialista de missão; e o coronel canadense Jeremy R. Hansen, especialista de missão.

Christina Koch será a primeira mulher a participar de uma missão da NASA ao redor da Lua, e Victor Glover será o primeiro homem negro a voar num sobrevoo lunar da agência, enquanto Jeremy Hansen é o primeiro canadense escalado para um voo lunar. Os três astronautas da NASA já voaram à Estação Espacial Internacional, e Hansen é novato em voos espaciais.

Além do significado técnico, a missão tem peso diplomático, pois integra parcerias como o Módulo de Serviço Europeu, construído pela Agência Espacial Europeia, e acordos que garantem vagas em missões em troca de contribuições como o Canadarm3 para a futura estação orbital Gateway.

Problemas identificados, correções e critérios de segurança

A NASA adiou lançamentos anteriores para revisar e corrigir problemas detectados após a Artemis I e durante testes na preparação da Artemis II. Durante a reentrada da Artemis I, foram identificados mais de 100 pontos de desgaste no escudo térmico da Orion, quando pedaços do material de proteção se desprenderam de forma irregular, o que poderia comprometer a segurança de uma missão tripulada.

As investigações indicaram também que gases presos no revestimento durante a reentrada provocaram fissuras, o que levou a mais de 100 testes em diferentes centros e à alteração do perfil de reentrada da Artemis II para reduzir riscos.

Antes do agendamento previsto para março e abril, a equipe identificou vazamentos de hidrogênio líquido e de hélio durante ensaios de abastecimento, e um selo defeituoso no sistema de hélio exigiu que o foguete retornasse ao prédio de montagem para reparos.

Sobre a cautela da NASA, John Honeycutt, chefe da equipe de gestão da missão, afirmou, “Vamos voar quando estivermos prontos, A segurança da tripulação será nossa prioridade número um.”

O que pode adiar o lançamento e o que vem depois

Qualquer problema técnico ou mudança nas condições meteorológicas pode suspender a contagem regressiva, mesmo nos minutos finais. Ventos fortes, formação de nuvens, risco de raios ou falhas em sistemas do foguete, da Orion ou nas comunicações são motivos suficientes para adiar a decolagem.

Se necessário, a NASA trabalhará com janelas alternativas nos dias seguintes. Além disso, antes do lançamento final é esperado o ensaio conhecido como Wet Dress Rehearsal, que simula abastecimento, contagem regressiva e procedimentos de emergência.

Se a Artemis II for bem-sucedida, ela abrirá caminho para a Artemis III, prevista para não antes de 2027 ou 2028, que tem o objetivo de levar a primeira mulher e a primeira pessoa negra a pisar na Lua, com pouso projetado para o polo sul lunar.

Durante a reentrada final na Terra, a Orion deve atingir cerca de 40.000 km/h, enfrentar temperaturas da ordem de 3.000 graus Celsius no escudo térmico e realizar a sequência de paraquedas que culmina no amerissagem no Oceano Pacífico, onde equipes de recuperação estarão prontas.

Os dados, horários, números e citações foram extraídos conforme informação divulgada pelo g1.

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