Atualização da lista suja do trabalho escravo inclui nomes de Amado Batista e BYD por irregularidades graves em diferentes setores
A nova divulgação da lista suja do trabalho escravo pelo governo federal trouxe grande repercussão ao incluir duas entidades de alto perfil: o cantor sertanejo Amado Batista e a montadora de carros elétricos BYD. A inclusão acontece após processos administrativos concluídos, revelando infrações graves relacionadas a condições análogas à escravidão e práticas trabalhistas ilegais.
A lista suja, atualizada semestralmente pelo Ministério do Trabalho, é um instrumento de transparência e combate ao trabalho análogo à escravidão no Brasil, trazendo nomes de empregadores responsáveis por explorar trabalhadores em condições degradantes, jornada excessiva ou com restrição de liberdade.
Neste artigo, explicamos o que levou à inserção desses dois nomes no cadastro, os detalhes das denúncias, o funcionamento da fiscalização e quais são as consequências para quem entra na lista.
Casos de Amado Batista: trabalho exaustivo e condições precárias em suas propriedades rurais
Minuciosas inspeções em duas propriedades do cantor no município de Goianápolis, Goiás, resultaram em autuações administrativas confirmadas. No sítio voltado ao cultivo de milho, trabalhadores apontaram jornadas que chegavam a 16 horas diárias, de segunda a domingo, sem registro formal ou pagamento de salários desde outubro. As condições de moradia eram insalubres, com pernoite em galpão sem camas adequadas nem espaços para refeições dignos.
Na fazenda dedicada à pecuária leiteira, a fiscalização não resgatou os trabalhadores, mas análises posteriores constataram jornadas próximas de 18 horas, configurando trabalho análogo à escravidão por jornada exaustiva. Apesar das alegações da assessoria de Amado Batista de que as irregularidades seriam atribuídas a uma empresa terceirizada, o processo administrativo concluiu pela inclusão do cantor na lista suja.
Controvérsias na BYD: 220 trabalhadores chineses em condições degradantes na construção da fábrica
A BYD passou a figurar na lista após denúncias relacionadas à construção de sua fábrica em Camaçari, Bahia. Em dezembro de 2024, foram encontrados 220 trabalhadores chineses vivendo em alojamentos superlotados, com péssimas condições de higiene e segurança. A presença de seguranças armados controlando a saída dos trabalhadores configurou grave restrição de liberdade.
Além disso, a retenção de passaportes e contratos com jornadas exaustivas foram evidências contundentes de trabalho análogo à escravidão. O Ministério Público do Trabalho identificou também irregularidades na entrada dos funcionários no país, com vistos incompatíveis com o trabalho realizado. A BYD responsabilizou a construtora terceirizada e encerrou o contrato, firmando um acordo judicial de R$ 40 milhões ao final de 2025.
Fiscalização, penalidades e a possibilidade de acordos para evitar ou sair da lista suja
A inclusão no cadastro acontece somente após conclusão definitiva do processo administrativo, garantindo o direito à ampla defesa. A fiscalização é conduzida por auditores-fiscais do trabalho, em conjunto com órgãos como Ministério Público do Trabalho e polícia.
Desde julho de 2024, existe a opção de firmar Termos de Ajustamento de Conduta para evitar a entrada ou antecipar a saída da lista suja, mediante indenização e investimento em programas de apoio aos trabalhadores. Caso o acordo seja descumprido ou haja reincidência, o empregador retorna ao cadastro.
Como denunciar casos de trabalho escravo e a importância da transparência
O combate ao trabalho análogo à escravidão depende da colaboração da sociedade. É possível denunciar suspeitas de forma anônima pelo Sistema Ipê, plataforma oficial que recebe informações para avaliação e posterior fiscalização.
Esse mecanismo visa garantir que trabalhadores em situação degradante tenham seus direitos resguardados e que empregadores irregulares sejam responsabilizados, promovendo uma cultura de respeito à dignidade humana e à legislação trabalhista no Brasil.
