Imagens de Satélite Revelam Extensa Destruição de Cidades Libanesas por Israel

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Análise do BBC Verify aponta para mais de 1.400 edifícios demolidos desde março, levantando suspeitas de crime de guerra.

Escala da Devastação

Imagens de satélite e vídeos verificados pelo serviço de checagem da BBC, o BBC Verify, indicam que cidades e vilarejos no sul do Líbano têm sido alvo de demolições em larga escala por parte de Israel. A análise preliminar identificou a destruição de mais de 1.400 estruturas edificadas até o início de abril. Este número, contudo, é considerado um retrato parcial da devastação, dada a dificuldade de acesso ao terreno e a limitação na obtenção de imagens de satélite, sugerindo que a dimensão real dos danos pode ser significativamente maior.

Ordem Ministerial e Estratégia de Guerra

A intensificação das demolições israelenses ocorreu após uma diretiva do Ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, em 22 de março, que instruiu a aceleração da destruição de residências libanesas localizadas nas proximidades da fronteira. Essa política, descrita como um seguimento do “modelo em Gaza”, faz parte da campanha israelense contra o Hezbollah, grupo político e militar com forte presença no sul do Líbano e apoio do Irã. Especialistas em direito internacional ouvidos pela BBC sugerem que a destruição sistemática de propriedades civis pode configurar um crime de guerra.

Respostas e Acusações Mútuas

As Forças de Defesa de Israel (FDI) declararam que suas operações estão em conformidade com o Direito dos Conflitos Armados e que a destruição de propriedades só ocorre em casos de necessidade militar imperativa. As FDI também alegam, sem apresentar evidências, que o Hezbollah tem posicionado infraestrutura militar em áreas civis da região. A escalada de hostilidades, segundo relatos, foi desencadeada por ataques de foguetes e drones do Hezbollah contra Israel em retaliação a um suposto assassinato de um líder iraniano. Em resposta, Israel lançou ataques aéreos e terrestres visando o que descreveu como alvos do Hezbollah.

Deslocamento e Crise Humanitária

A ordem de evacuação para civis libaneses próximos à fronteira foi gradualmente ampliada, abrangendo áreas cada vez mais distantes. Estima-se que mais de 1,2 milhão de pessoas tenham sido deslocadas em todo o Líbano, sendo que 820 mil provêm do sul do país, de acordo com o Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha). A guerra tem forçado um grande número de libaneses a buscar refúgio em outras regiões do país ou a cruzar para a Síria. O Ministério da Saúde libanês reportou mais de 2.000 mortes desde o início do conflito, enquanto Israel informa a morte de 13 soldados e dois civis pelas ações do Hezbollah nas últimas seis semanas.

Transformação da Paisagem

As paisagens outrora marcadas por colinas e construções de pedra nas áreas de fronteira agora se apresentam cobertas por poeira e escombros, com bairros inteiros desaparecendo sob explosões controladas. A cidade de Taybeh, a poucos quilômetros da fronteira, foi particularmente afetada, com vídeos mostrando a destruição simultânea de múltiplos quarteirões. A estratégia israelense, conforme detalhada pelo Ministro da Defesa, prevê a criação de uma “zona de segurança” controlada por Israel, que ocuparia aproximadamente 10% do território libanês, estendendo-se até o rio Litani, com o objetivo declarado de “impedir a ameaça de invasão”.

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