Investigação aponta que o zootecnista, criado pelos avós, usou conhecimento adquirido na fazenda para supostamente cometer os crimes.
Um neto de 37 anos, suspeito de ter desviado cerca de R$ 37 milhões de sua avó, uma idosa de Firminópolis, em Goiás, construiu sua trajetória nos negócios familiares desde a infância. Segundo as investigações da Polícia Civil, Fabiano Pedrosa Leão, que estudou zootecnia, foi criado pelos avós e aprendeu a gerenciar a fazenda e os lucros do empreendimento, o que lhe teria facilitado a execução do esquema.
Construindo Confiança Desde Cedo
O delegado Alexandre Bruno, responsável pelo caso, detalhou que Fabiano era uma presença constante na fazenda da família desde muito jovem, auxiliando o avô nas atividades rurais e na administração. Essa proximidade e o envolvimento precoce nos negócios permitiram que ele adquirisse um conhecimento técnico profundo sobre as operações financeiras e patrimoniais da família. Após o falecimento do avô em 2009, Fabiano assumiu de vez a gestão, o que, segundo a polícia, culminou na conquista da confiança de todos os familiares, incluindo a avó.
A formação em zootecnia, que Fabiano concluiu na vida adulta, teria apenas aprofundado sua expertise na área e fortalecido a percepção de competência perante os parentes. Essa credibilidade, no entanto, teria sido explorada para realizar os supostos desvios, que teriam ocorrido ao longo de aproximadamente 15 anos, desde a morte do avô.
O Mecanismo do Suposto Desvio
As apurações indicam que o foco dos desvios era um fundo específico destinado aos lucros da fazenda. Enquanto as tias de Fabiano, herdeiras também da fortuna, não realizavam retiradas regulares, o neto teria procedido com saques contínuos dos valores. O delegado ressaltou que Fabiano administrava os rendimentos da propriedade e, em paralelo, realizava as retiradas, um padrão que levantou suspeitas.
O caso veio à tona em fevereiro de 2025, quando uma das filhas da idosa, e tia de Fabiano, começou a notar um enriquecimento incomum do sobrinho, o que a levou a desconfiar de irregularidades. A situação se agravou após o falecimento da avó, Angélica Gonçalves Pedrosa, em maio de 2024. Na ocasião, Fabiano e sua mãe, Marli Gonçalves Pedrosa Leão, ficaram responsáveis por conduzir o processo de inventário e a divisão dos bens entre as herdeiras.
Buscas e Apreensões e Prisão em Flagrante
Na última segunda-feira, dia 13, Fabiano e sua mãe foram alvos de mandados de busca e apreensão. Durante as diligências na residência de Fabiano, foram encontradas duas armas de fogo. Ele foi detido em flagrante por posse ilegal de armamento, mas posteriormente liberado após o pagamento de fiança. Além do neto e da mãe, a investigação também aponta o envolvimento de bancários, fazendeiros da região e funcionários de cartórios no esquema.
O Ministério Público e a Polícia Civil seguem com as investigações para detalhar a extensão do esquema e identificar todos os possíveis cúmplices. O caso levanta um alerta sobre a importância da vigilância financeira e da transparência na gestão de patrimônios familiares, especialmente em contextos onde a confiança é um pilar central das relações.
