sábado, abril 18, 2026

Dólar cai abaixo de R$ 5 em meio a busca por investimentos globais e tensão no Oriente Médio

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Movimento global de investimentos e instabilidade internacional impulsionam retração do dólar no Brasil

A moeda americana fechou abaixo dos R$ 5 pela primeira vez em mais de dois anos, após quatro dias consecutivos de queda frente ao real. Esse movimento reflete sobretudo a saída de investidores dos Estados Unidos, que buscam alternativas de aplicação em outros mercados, como o brasileiro, fortalecendo o real e outras moedas emergentes.

Além disso, a instabilidade causada pelas decisões de política externa dos Estados Unidos, combinada com a recente escalada do conflito no Oriente Médio, gera incertezas que impactam a valorização do dólar mundialmente. No Brasil, diversos fatores econômicos internos também contribuem para a valorização da moeda local.

Nesta reportagem, explicamos os principais elementos que explicam a queda do dólar em 2025, destacando o que está por trás dessa movimentação e o que pode influenciar os próximos passos da moeda americana no cenário cambial brasileiro.

Busca por ativos fora dos EUA e impacto global no dólar

Conforme o capital global se reposiciona, investidores estrangeiros aumentam seus investimentos em países emergentes, como o Brasil. Isso provoca um maior ingresso de dólares no país, que são vendidos para aquisição de reais e ativos locais. Com mais oferta de dólar no mercado brasileiro, seu preço tende a cair, pressionando a moeda americana para baixo.

O estrategista-chefe da Avenue destaca que o dólar vem perdendo força em várias moedas, não apenas frente ao real, por conta dessa realocação global de capital. A América do Sul, por sua vez, se beneficia dessa tendência e apresenta moedas mais valorizadas, graças ao interesse internacional por commodities e mercados promissores.

Influência da guerra no Oriente Médio e decisões de política externa dos EUA

Nos últimos dias, o agravamento da tensão entre Estados Unidos e Irã impactou as expectativas dos investidores. A decisão do presidente americano de bloquear o Estreito de Ormuz para navios oriundos ou em direção ao Irã elevou os riscos geopolíticos. O Estreito de Ormuz é uma importante rota do petróleo global, e o bloqueio pode ocasionar aumento nos preços da commodity, que já trafega em torno dos US$ 100.

Apesar do começo de sessão com dólar em alta, houve queda conforme surgiram sinais de possível retomada das negociações de paz e melhora no humor dos mercados internacionais, especialmente em relação às bolsas de Nova York. Essa melhora ajuda a aliviar a pressão sobre o real, fortalecendo-o frente ao dólar.

Condições econômicas brasileiras favorecem o real e o fluxo de recursos

O diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos é outro fator que atrai investidores para a moeda brasileira. Taxas mais elevadas no Brasil tornam os ativos locais mais atraentes, incentivando capital estrangeiro a entrar no país.

Além disso, o Brasil se beneficia por ser um exportador líquido de commodities, o que colabora para o equilíbrio da balança comercial e melhora das contas externas. Esse aspecto sustenta a valorização do real e ajuda a explicar o movimento de queda do dólar desde o ano passado.

Tendência de queda do dólar e seus desdobramentos para 2025

Em 2025, o dólar já acumula queda de 11,8% frente ao real, o maior recuo em quase uma década. Esse movimento se iniciou com a expectativa de juros mais baixos nos Estados Unidos e o aumento das incertezas políticas no país, que reduziram a atratividade da moeda americana.

Com os acontecimentos recentes envolvendo a guerra no Oriente Médio e a busca global por ativos fora dos EUA, a tendência de valorização do real pode se intensificar, desde que os fatores internos também continuem favoráveis. O cenário exige acompanhamento constante, pois as oscilações globais podem alterar rapidamente o ritmo dessa valorização.

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