domingo, abril 19, 2026

China responde após montadora BYD ser incluída em lista brasileira de trabalho escravo por más condições a trabalhadores

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China destaca importância da proteção aos trabalhadores em meio à inclusão da BYD na lista brasileira que denuncia trabalho análogo à escravidão

A recente inclusão da montadora chinesa BYD na “lista suja” do trabalho escravo no Brasil gerou reação diplomática por parte da China, que ressaltou o compromisso com a segurança e direitos dos trabalhadores.

O Ministério das Relações Exteriores da China reafirmou que empresas chinesas devem cumprir rigorosamente as leis e regulamentos locais, destacando a importância da proteção dos direitos e interesses dos seus trabalhadores.

No Brasil, esta atualização da lista pública revelada ao público traz à tona casos recentes e impactantes de exploração laboral envolvendo tanto pessoas físicas quanto jurídicas, acendendo um alerta sobre práticas que persistem nas linhas da ilegalidade.

Atualização da “lista suja” revela números alarmantes e inclusão de grandes nomes

Na última atualização semestral, o Ministério do Trabalho incluiu 169 novos empregadores, somando aproximadamente 613 nomes no cadastro nacional de trabalho análogo à escravidão. O aumento representa um crescimento de 6,28% em relação à atualização anterior.

Desses, 102 são pessoas físicas e 67 empresas. Entre os nomes mais destacados está a montadora BYD e o cantor Amado Batista, que tiveram processos concluídos sem possibilidade de recurso para inclusão na relação.

O cadastro é parte de uma estratégia do governo para combater práticas laborais degradantes, com a regra de permanência dos nomes por dois anos, podendo sair mediante regularização e ausência de novos casos, ou entrada em programas de ajustamento de conduta.

Investigação aponta condições degradantes e irregularidades na obra da BYD na Bahia

A inclusão da BYD no cadastro veio após um resgate ocorrido em dezembro de 2024, quando 220 trabalhadores chineses foram encontrados em condições precárias na construção da fábrica da montadora em Camaçari, região metropolitana de Salvador.

Os trabalhadores estavam alojados em espaços superlotados, sem conforto e higiene adequados, submetidos à vigilância por seguranças armados, com passaportes retidos e contratos que impunham jornadas exaustivas e restrição de descanso semanal.

O Ministério Público do Trabalho da Bahia apontou ainda que todos entraram no Brasil com vistos para serviços especializados, incompatíveis com as atividades que desempenhavam na obra, configurando irregularidades e violação dos direitos trabalhistas.

A BYD declarou que as falhas foram atribuídas a uma construtora terceirizada, encerrando o contrato com a empresa e prometeram medidas para transferir trabalhadores para hotéis próximos, além de firmar um acordo judicial com indenização de R$ 40 milhões para reparação.

Caso Amado Batista e outras situações no Brasil evidenciam desafios na proteção do trabalho digno

Além da BYD, o cantor Amado Batista aparece no cadastro após autuações relacionadas a fazendas em Goianápolis, Goiás. Ele nega as acusações, afirmando que os trabalhadores estão legalmente empregados e que cumpriram todas as exigências legais após fiscalização e acordo com o Ministério Público do Trabalho.

A atualização da lista revela que a maioria dos casos está ligada a atividades econômicas como serviços domésticos, criação de bovinos para corte, cultivo de café e construção civil, abrangendo estados como Minas Gerais, São Paulo e Bahia, entre outros.

Esforços do Brasil na fiscalização e combate ao trabalho escravo ganham reforço com nova portaria

O Ministério do Trabalho realiza operações periódicas que já resultaram no resgate de mais de 68 mil trabalhadores de condições análogas à escravidão desde 1995, com mais de R$ 160 milhões pagos em verbas trabalhistas garantidas.

Regras recentes criaram mecanismos para a retirada antecipada do cadastro ou até mesmo a não inclusão, caso os empregadores firmem compromissos de indenização e investimentos em apoio às vítimas. Isso ajuda a fomentar a regularização e prevenção de novas ocorrências.

O sistema que permite denúncias anônimas e remotas facilita a fiscalização, possibilitando ações efetivas contra quem insiste na exploração ilegal de trabalhadores, demonstrando compromisso contínuo na proteção dos direitos humanos e trabalhistas no país.

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