Nível do Rio Juruá recua, mas famílias continuam desalojadas e abastecimento de água é afetado em Cruzeiro do Sul, interior do Acre
A cheia histórica do Rio Juruá causou a remoção de quase 60 famílias e impactou diretamente a vida de mais de 28 mil pessoas na região urbana e rural de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. Mesmo com o primeiro recuo no nível da água após uma semana de transbordamento, a situação ainda é crítica para os moradores e autoridades locais.
O manancial marcou 13,84 metros na última segunda-feira (6), com uma redução de 23 centímetros em relação ao pico de 14,10 metros registrado em 3 de março. Apesar desse declínio, o rio segue acima da cota de transbordo, o que mantém o alerta máximo e a mobilização das equipes de defesa civil e governo estadual.
A enchente já é a quarta do ano registrada no Rio Juruá, e o governo decretou situação de emergência em seis municípios, devido às constantes cheias que afetam várias bacias hidrográficas do Acre.
Remoção e condições nos abrigos
A remoção das famílias começou no dia 31 de fevereiro, com moradores realocados para escolas públicas adaptadas como abrigos temporários em diferentes bairros da cidade, como Cruzeirão, João Alves, Nossa Senhora das Graças, Alumínio, Telégrafo e Miritizal. Nestes locais, recebem café da manhã, almoço, jantar e atendimento social completo.
No total, 62 famílias permanecem fora de suas casas, enfrentando consequências sociais e econômicas. Para proteger os moradores e evitar riscos adicionais, a energia elétrica foi suspensa para aproximadamente 186 famílias em áreas mais afetadas pela inundação.
Áreas urbanas e rurais atingidas mostram extensão dos danos
Diversos bairros urbanos sentiram os impactos da cheia, incluindo Remanso, Várzea, Olivença, Mitirizal, Beira Rio, Lagoa, Manoel Terças, Cruzeirinho, São Salvador, Saboeiro, Centro e Boca do Moa. As comunidades rurais sofreram ainda mais, com localidades como Centrinho, Tapiri, Humaitá do Moa, Praia Grande e muitas outras atualmente alagadas. Além disso, vilas como Lagoinha, Assis Brasil e Santa Rosa enfrentam os efeitos da enchente.
O aumento significativo dos níveis dos rios Croa, Juruá Mirim e Valparaíso intensifica a preocupação das autoridades e moradores, pois mantêm o estado de alerta em várias regiões do município.
Medidas emergenciais para abastecimento de água
Devido à interrupção do fornecimento de água pela rede pública em regiões alagadas, para evitar contaminação, o Saneacre iniciou uma ação emergencial para garantir água potável às famílias afetadas. No bairro Várzea, um caminhão-pipa faz a distribuição da água, garantindo o uso doméstico das famílias desabrigadas.
Essa medida é essencial para manter as condições mínimas de higiene e saúde, especialmente diante do cenário delicado durante a cheia do Rio Juruá.
Decreto de situação de emergência e contexto histórico das cheias
O recente decreto de emergência estadual abrange os municípios de Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Plácido de Castro. A medida tem validade de 180 dias e aguarda reconhecimento federal para tornar possíveis ações complementares e obtenção de recursos.
Desde janeiro, o município enfrenta um padrão preocupante de elevação dos rios. Em 17 de janeiro, mais de 1.650 famílias foram impactadas pela inundação, levando a perda de energia e abastecimento de água para centenas de residências. Em poucos dias, o nível das águas já recuava, mas outras enchentes se seguiram, mantendo a população em alerta.
Esse ciclo de cheias coloca em evidência a vulnerabilidade das comunidades ribeirinhas e a necessidade de políticas públicas de prevenção e assistência, que minimizem os prejuízos humanos e materiais causados pelas inundações no Acre.
