Casa histórica de Gabriel Villela em Carmo do Rio Claro se destaca como ponto central para criação artística com contato direto com o Lago de Furnas e a cultura local
Em Carmo do Rio Claro, uma casa quase bicentenária às margens do Lago de Furnas tornou-se um verdadeiro refúgio para o teatro brasileiro. Sob a dedicação do diretor Gabriel Villela, o espaço reúne memória familiar, acervo de peças e inspirações que influenciam produções artísticas reconhecidas nacionalmente.
Mais que uma residência, o local funciona como uma extensão do processo criativo, onde atores experimentam figurinos, cenários e ensaiam imersos em um ambiente que favorece a concentração, o relaxamento e o contato com a natureza.
O Lago de Furnas, com sua imensidão e tranquilidade, é parte integrante da rotina no refúgio, contribuindo para o equilíbrio entre a intensidade dos trabalhos teatrais e os momentos de lazer e descanso.
Centro criativo e acervo vivo do teatro brasileiro
Gabriel Villela não utiliza a casa apenas como ponto de retiro, mas como um local que abriga peças de figurino, cenário e objetos de exposições, inclusive de mostras internacionais. O espaço mantém-se ativo com projetos em desenvolvimento constante, reafirmando seu papel como polo de criação.
O diretor destaca que o ambiente favorece a imersão completa dos atores, que passam a acompanhar de perto todas as etapas da produção, do figurino à cenografia. Essa vivência aprofundada facilita o entendimento do que o diretor pretende construir em cada montagem.
Além disso, a residência mantém uma ligação forte com a família de Villela: o teatro da cidade leva o nome da avó do diretor, um símbolo de conexão entre arte e memória. O próprio Gabriel reforça o sentimento de pertencimento e conforto que o local transmite: “a vida dói menos aqui“, refletindo a importância do espaço para seu equilíbrio emocional e artístico.
O Lago de Furnas como cenário e inspiração
O imenso lago fornece um pano de fundo contemplativo e um espaço de relaxamento para artistas durante ensaios e intervenções. Atividades como natação, passeios de barco e momentos à beira d’água contribuem para um ritmo de trabalho equilibrado.
Uma das histórias curiosas vividas na casa envolveu o ator Raul Gazolla, que resolveu nadar pelo lago mas acabou se afastando demais da rota prevista. Com o anoitecer, ele perdeu referências visuais e precisou ser resgatado por balsa perto de uma antiga área de cemitério já submersa. O episódio é contado com bom humor e se transformou em um símbolo das vivências intensas vividas no local.
Continuidade do legado artístico e cultural
Mesmo com agendas nas grandes capitais, Villela mantém a casa como sua base criativa e espaço de referência para seu trabalho e equipe. O local simboliza a união entre a vida rural, a história da região do Sul de Minas e o teatro contemporâneo.
O distrito de Itaci, onde está a casa, carrega ainda lembranças da época da construção do Lago de Furnas, um marco histórico da região. Em meio a esse cenário, o refúgio de Villela resguarda uma proposta de arte viva, que mistura passado, presente e futuro.
Ao valorizar cenas, figurinos e momentos vividos ali, Gabriel Villela reforça a importância de preservar espaços que unem tradição, natureza e criatividade, ressaltando que respirar esse ar verdadeiro faz com que “a vida dói menos” e que a conexão com as raízes é fundamental para a força do teatro no Brasil.
