Pena de morte aplicada em Cantão após duas décadas de prisão, Paris fala em “consternação”, critica acesso da defesa à audiência final, Pequim diz tratar casos com rigor
A China executou um homem com cidadania francesa condenado por tráfico de drogas em 2010, encerrando um processo que durou mais de 20 anos.
O caso reacende disputa diplomática entre Paris e Pequim, envolvendo pedidos de clemência recusados e alegações de irregularidades na defesa do réu.
A execução foi confirmada pelas autoridades, e provoca debates sobre a aplicação da pena de morte, direitos da defesa e cooperação internacional no combate ao tráfico.
O caso e a execução
O réu foi identificado como Chan Thao Phoumy, de 62 anos, nascido no Laos e titular de cidadania francesa. Ele havia sido condenado por tráfico de drogas em 2010 e cumpriu mais de 20 anos de prisão antes da pena capital ser aplicada.
A execução ocorreu em Cantão, no sul da China, depois que pedidos de clemência apresentados pelo governo francês foram negados pelas autoridades chinesas. O episódio marca um desfecho severo para um processo iniciado há mais de duas décadas.
Reação da França
O governo francês manifestou forte reação ao anúncio, registrando “consternação” com a execução. As autoridades de Paris afirmaram que solicitaram clemência por razões humanitárias, sem sucesso.
A diplomacia francesa também criticou a condução do processo, alegando que a defesa de Phoumy não teve acesso à audiência final no tribunal, o que, segundo Paris, representa uma violação dos direitos do réu.
Em comunicado oficial, a França reafirmou sua posição contrária à pena capital, afirmando, “A França reitera sua oposição, em todos os lugares e sob todas as circunstâncias, à pena de morte e defende sua abolição universal”, e pediu esclarecimentos sobre o caso.
Resposta da China
Pequim, por sua vez, justificou a decisão ao destacar a importância do combate ao tráfico de drogas e a aplicação rigorosa da legislação. As autoridades disseram que tratam réus de todas as nacionalidades de forma igualitária.
A representação chinesa afirmou que o enfrentamento ao tráfico é uma “responsabilidade global”, e que os casos são conduzidos com rigor, além de garantir, segundo o governo, a proteção dos direitos legais das partes envolvidas.
Impactos e desdobramentos
O caso pode aprofundar atritos diplomáticos entre França e China, e reacende discussões internacionais sobre a pena de morte, transparência judicial e direitos da defesa em processos com implicações transnacionais.
Organismos e governos que defendem a abolição da pena de morte devem acompanhar desdobramentos e possíveis pedidos de investigação sobre o acesso à justiça no caso, enquanto relações bilaterais entram em novo momento de tensão.
