Distribuição do horário eleitoral considera bancada na Câmara, 90% proporcional e 10% igualitário, União-PP lidera com 2 minutos 28 segundos e 19 centésimos de 12m30s no total
A disputa pelo tempo de TV e de rádio já influencia a corrida presidencial, porque o espaço gratuito é limitado e definido pelo tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados, com vantagens para legendas maiores.
Partidos que ultrapassaram a cláusula de desempenho em 2022 terão acesso ao horário, o que eleva a importância de acordos e federações, especialmente com as siglas do Centrão que possuem bancada numerosa.
Nas contas feitas com base nas bancadas de 2022, a Federação União Progressista aparece na frente, enquanto PL, Federação PT e outras legendas seguem com fatias relevantes, o que pode alterar a visibilidade dos presidenciáveis.
Como é feito o cálculo do tempo de propaganda
O tempo de TV disponível no primeiro turno soma 12 minutos e 30 segundos por bloco, sendo distribuído segundo a regra que separa 90% do tempo proporcionalmente ao número de deputados, e 10% igualmente entre os partidos que superaram a cláusula de barreira.
O cálculo foi realizado pelo cientista político Henrique Cardoso Oliveira, da Fundação 1º de Maio, e não considerou as inserções ao longo da programação, apenas o horário eleitoral gratuito.
Para definir quanto cada partido terá, foi considerada a bancada eleita em 2022, e o partido Novo foi excluído do cômputo, porque não alcançou a cláusula de desempenho naquele ano.
Quem lidera e quanto tempo cabe a cada sigla
Com uma bancada de 106 parlamentares, a agremiação deve dispor de 2 minutos 28 segundos e 19 centésimos, ou 20,78% do total de 12 minutos e 30 segundos. Essa vantagem dá mais espaço de exposição a candidatos apoiados por essa federação.
Na sequência, aparecem outras siglas maiores, como o PL e a Federação PT, além de PCdoB, PV, MDB, PSD e Republicanos, que também concentram significativa parcela do tempo de TV e podem aumentar ou reduzir a visibilidade de pré-candidatos, conforme as alianças fechadas.
Por que as alianças com o Centrão são tão buscadas
Hoje, entre os pré-candidatos já anunciados, só PT, PSD e PL têm direito ao horário, porque cumpriram a cláusula de barreira em 2022. Isso cria um incentivo forte para que presidenciáveis busquem o apoio de legendas do Centrão, que ampliam o espaço de propaganda.
Em um cenário de aliança de um candidato ligado ao PL com União Brasil-PP e Republicanos, o tempo de propaganda saltaria de 2 minutos, 14 segundos e 98 centésimos para mais de 5 minutos, o que representa ganho substancial de exposição.
Da mesma forma, se a Federação Brasil da Esperança, vinculada ao PT, receber apoio do PSB, do PDT e da Federação PSOL Rede, o tempo subiria de 1 minuto e 59 segundos para pouco mais de 3 minutos, ampliando a presença do candidato em rádio e televisão.
O que muda no segundo turno e o efeito nas campanhas
O tempo de propaganda no rádio e na televisão para candidatos a presidente vale apenas para o primeiro turno, no segundo turno os candidatos têm espaços iguais, o que nivela a disputa em termos de programação gratuita.
Mesmo assim, a distribuição do primeiro turno continua sendo estratégica, porque define quanto tempo cada corrente terá para construir narrativa, alcançar eleitores e consolidar alianças antes da definição dos dois finalistas.
Em resumo, a disputa por apoios do Centrão não é apenas política, é também uma corrida pelo tempo de TV, que pode decidir a capacidade de exposição das candidaturas já na fase inicial da campanha.
