Agente funerário de Hull escondeu 35 corpos, entregou cinzas erradas e embolsou dinheiro de funerais, vítimas cobram punição e regulação urgente

0
6

Acusado pediu fiança e aguarda sentença, o caso revela falhas na fiscalização do serviço funerário e revolta de famílias enlutadas

Um caso que chocou a cidade de Hull, no nordeste da Inglaterra, expõe irregularidades graves envolvendo um agente funerário, corpos retidos e fraudes em planos e serviços.

As descobertas na funerária Legacy Independent Funeral Directors provocaram protestos de familiares, pedidos de mudança nas regras do setor, e discussões sobre como evitar novos abusos.

Conforme informação divulgada pelo g1, policiais encontraram 35 corpos e mais de 100 conjuntos de cinzas no local, e o acusado admitiu culpa em 30 acusações.

A descoberta, as acusações e a resposta da justiça

O agente funerário Robert Bush, de 48 anos, administrava a Legacy em Hull, quando, em março de 2024, a polícia revelou a presença de 35 corpos e mais de 100 conjuntos de cinzas nas dependências da empresa.

Segundo as informações, um dos corpos estava no local havia cerca de um ano, e muitas famílias receberam cinzas que não pertenciam a seus entes queridos.

Bush admitiu ser culpado em 30 acusações relacionadas a impedir sepultamentos legais e dignos, e por fraude, além de já ter se declarado culpado por apresentar cinzas de desconhecidos às famílias e vender planos funerários fraudulentos.

Ele também se declarou culpado por furto envolvendo 12 instituições de caridade no Reino Unido, e, após pagar fiança, responde em liberdade, conforme os autos.

Vítimas, perdas e relatos de famílias

O impacto emocional nas famílias é profundo. A enteada de Danny Middleton, cuja família recebeu cinzas diretamente do agente funerário, afirmou que o comportamento do acusado era frio, e pediu punição rigorosa.

Uma das frases citadas durante o processo foi, “Ele é um monstro puro e verdadeiro, é como estar em um filme de terror“, palavras de uma familiar que resumem a reação de muita gente envolvida no caso.

Outro relato descreve a experiência da família de Jessie Stockdale, cuja lembrança foi manchada depois que, segundo o familiar Tristan Essex, o corpo ficou retido por cinco meses e apareceu em diferentes caixões a cada visita.

As famílias relataram ainda odor forte nas instalações, manchas de sangue no friso do caixão e mofo no interior, sinais que aumentaram a sensação de traição e sofrimento.

Escala dos crimes e itens recuperados

As autoridades informaram que, ao todo, houve 254 vítimas dos crimes cometidos entre maio de 2012 e março de 2024, número que inclui mais de 170 pessoas que compraram planos funerários fraudulentos da Legacy.

Além dos corpos e dos conjuntos de cinzas, foram encontrados mais de mil itens pessoais, entre cartas, roupas de bebê e pertences preciosos entregues às mãos da funerária, segundo as investigações.

A empresa foi dissolvida em audiência judicial em maio de 2024, com dívidas superiores a £40.000, valor que a reportagem traduz como mais de R$ 272 mil em valores atuais.

Reações do setor e pedidos por regulação

Representantes de associações de diretores funerários afirmaram que a maioria dos profissionais age com cuidado e profissionalismo, e que o caso de Hull é uma exceção que revela falhas no atual modelo de supervisão.

A Sociedade Nacional de Diretores Funerários Aliados e Independentes anunciou ações junto ao governo para garantir que situações como essa não se repitam, propondo regras e padrões mais rígidos de atuação.

A Associação Nacional de Diretores Funerários defende reformas amplas, incluindo um regime independente de inspeção, normas claras para transporte e cuidado dos falecidos, e a criação de um Comissário para os Falecidos, com o objetivo de aumentar a responsabilização.

Familiares que organizam vigílias mensais dizem que a admissão de culpa de Bush “nos aproxima um passo da justiça enquanto aguardamos a sentença”, e pedem mudanças que tornem o setor mais transparente.

Próximos passos e data de sentença

O acusado, que oferecia funerais de baixo custo e prometia “cuidados pessoais dignos” nas redes sociais da empresa, será sentenciado em 27 de julho, conforme os registros do processo.

Enquanto isso, familiares e especialistas seguem pressionando por medidas que aumentem a fiscalização sobre diretores funerários, para evitar novos casos de abuso, fraude e danos emocionais irreparáveis.

O caso serve como alerta para consumidores, autoridades e para o setor, que agora enfrenta um pedido público por regras claras, inspeção independente e mecanismos que garantam respeito aos mortos e proteção às famílias enlutadas.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here