Decisão monocrática do ministro Kassio Nunes Marques devolveu acesso aos prédios oficiais, reintegração foi marcada por exonerações e nomeações, e promessa de manter mandato
Rodrigo Manga reassumiu a Prefeitura de Sorocaba após decisão do Supremo Tribunal Federal, em uma volta que incluiu mudança completa do secretariado e declarações sobre o futuro político.
O prefeito afastado estava fora do cargo desde novembro, em investigação da Polícia Federal, e teve o afastamento suspenso pelo STF, retomando o exercício do mandato nesta quarta-feira.
conforme informação divulgada pelo g1
Retorno e troca no secretariado
No dia da volta, a recomposição do time executivo foi publicada no Jornal do Município, após coletiva realizada na sede do partido Republicanos.
Segundo a prefeitura, a intenção de Rodrigo Manga é reconstruir a equipe que estava em exercício em 6 de novembro de 2025, data do afastamento. Dois nomes conhecidos retornaram, Clayton Lustosa como Secretário de Empreendedorismo e Desenvolvimento Econômico, e Cleber Costa como Secretário de Recursos Humanos e Administração.
Manga disse que irá pedir análise para reativar políticas, como o transporte gratuito para estudantes, e para convocação de guardas, e participou de recepção ao reassumir o prédio da prefeitura.
Decisão do STF e argumentos da defesa
A suspensão do afastamento foi determinada monocraticamente pelo ministro Kassio Nunes Marques, e a medida será levada ao plenário para apreciação da 2ª turma do STF.
Na decisão, o ministro alegou que a medida representava uma “intervenção excessiva na esfera política e administrativa do município de Sorocaba” e citou risco de maior interferência na livre opção de Manga em se inscrever na disputa eleitoral, diante do prazo de desincompatibilização.
A defesa comemorou, afirmando, em nota, “Efetivamente, a Suprema Corte, guardiã da Constituição Federal reconheceu a inexistência de razões e fundamentos para a manutenção do afastamento temerário e precipitado, à mingua de elementos mínimos que pudessem evidenciar qualquer ilicitude praticada pelo Prefeito Manga”.
Ao reassumir, Manga declarou: “Mais uma vez, o STF mostra-se defensor dos direitos políticos e do povo”.
Investigação, denúncias e antecedentes
A volta ocorre no contexto da Operação Copia e Cola, que investiga desvio de verbas em contratos para unidades de saúde municipais, iniciada em maio de 2022.
Em fevereiro, o Ministério Público Federal denunciou 13 pessoas por organização criminosa, peculato, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e frustração de competição em licitação, entre elas o prefeito, a esposa e a mãe dele.
Manga foi afastado em 6 de novembro de 2025 durante a segunda fase da operação, e o vice-prefeito Fernando Martins assumiu a prefeitura por quase cinco meses até a decisão do STF.
Repercussão política e próximos passos
No vídeo divulgado em suas redes, Manga afirmou que considera disputar um cargo maior em 2026, mas reafirmou o compromisso com Sorocaba ao dizer, conforme declaração publicada, “Hoje, as pesquisas apontam que eu posso eleger em um cargo maior em outras esferas para poder ajudar o Estado e o Brasil. E eu sei que essa é a minha missão e que logo eu vou poder estar fazendo todo esse trabalho aqui por mais pessoas no Estado de São Paulo. Então, quero declarar que esse dia vai chegar, mas por enquanto, povo de Sorocaba, eu fico”.
Ele também avaliou o período de afastamento, dizendo, “Não foi fácil [o afastamento], mas foi importante este espaço de tempo para que a gente pudesse voltar com a manifestação importante do STF, sem nenhuma restrição para a gente continuar em paz e continuar cuidando do nosso povo. Às 19h vai ter uma novidade bastante importante para vocês, vou falar do futuro do estado de São Paulo e gostaria que estivessem lá conosco”.
Com o caso agora no Supremo e a decisão submetida ao plenário, cabem recursos e novas análises, enquanto a cidade acompanha a recomposição do secretariado e as medidas anunciadas pela administração municipal.
