Acusações envolvem importunação sexual, violação mediante fraude, estupro e estupro de vulnerável, polícia ouviu 30 possíveis vítimas e amplia apuração em hospitais da região
O caso ganhou novas informações sobre o médico detido em Taquara, cidade a cerca de 80 km de Porto Alegre.
Autoridades dizem que a investigação apura relatos de pacientes e funcionárias, e que há depoimentos que descrevem condutas durante consultas e exames.
Conforme informação divulgada pelo g1.
O que a investigação aponta
Segundo o delegado Valeriano Garcia Neto, a Polícia Civil abriu inquéritos e já ouviu o depoimento de 30 possíveis vítimas, entre pacientes e funcionárias que trabalharam com o médico.
O delegado afirma que, em relatos, “Quando ela se dirigia para vestir as roupas, o médico abraçava e passava a apalpar o corpo da vítima, a beijar o corpo, sob o pretexto de demonstração de carinho e orientação espiritual”.
São apurados os possíveis crimes de importunação sexual, violação sexual mediante fraude, estupro e estupro de vulnerável. Em alguns depoimentos, as vítimas relatam que, ao final da consulta, o suspeito pedia segredo: “Isso é segredinho nosso”, conforme a investigação.
Relato recebido em Porto Alegre
Uma denúncia anônima acessada pela reportagem descreve um episódio em um hospital de Porto Alegre, durante exame de ecocardiografia transtorácica.
A vítima relatou que, ao se sentar na maca, o médico a abraçou e disse que, além de linda, ela era cheirosa, e que naquele momento “encostou sua parte íntima na minha perna”. A paciente disse que estava despida na parte superior do corpo, o que aumentou sua vulnerabilidade, e que não reagiu por medo e surpresa.
O delegado afirmou que a investigação foi ampliada porque há indícios de atuação do suspeito em outros hospitais, além de Taquara.
Posição da defesa e órgãos profissionais
A defesa do médico, em manifestação prévia, afirmou que ainda não teve acesso integral ao inquérito e que o cliente negou integralmente as acusações. Em trecho divulgado, o escritório declarou, “Nosso escritório ainda não teve acesso ao inquérito que originou a prisão, contando, até o momento, apenas com informações preliminares. Em conversa com nosso cliente, este negou integralmente todas as acusações que lhe foram imputadas.”
Segundo a defesa, o médico tem quase 30 anos de carreira e seria reconhecido pela população local, e o advogado argumentou que o profissional é “carinhoso” com pacientes, apresentando a expressão exata: “É carinhoso, abraça senhoras de 90 anos, homens, é o jeito dele”.
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul, em nota oficial, afirmou, “O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) tomou conhecimento dos fatos, e medidas administrativas já foram tomadas para investigação do caso. A situação é grave e deve ser apurada com rigor. Se comprovada a denúncia, todas as ações necessárias serão tomadas para punir os responsáveis.”
Medidas adotadas e como denunciar
Após a prisão, o médico foi encaminhado para o Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional, Nugesp, centro de triagem de presos na capital.
Autoridades pedem que denúncias anônimas sejam encaminhadas pelo telefone (51) 98443-3481. A apuração segue, com colheita de depoimentos e análise de locais de atuação do profissional para definir responsabilidades penais e administrativas.
