Comprar passagens de avião agora ou esperar, reajuste de 55% no querosene da Petrobras pode elevar tarifas até 20%, reduzir voos e aumentar lotação

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Entenda por que especialistas recomendam comprar passagens de avião já, como o QAV responde por cerca de 1/3 dos custos das aéreas e que medidas podem diluir o repasse

O aumento de 55% no preço do querosene de aviação anunciado pela Petrobras deve refletir nas tarifas em poucos meses, e quem pretende viajar de avião precisa avaliar se compra agora ou espera por possíveis amenizações, segundo especialistas.

O impacto nas passagens tende a aparecer em até três meses, por causa de contratos e da dependência do mercado internacional do petróleo, e pode elevar tarifas em torno de 15% a 20% apenas pelo aumento do barril, segundo projeções acadêmicas e de mercado.

Nos próximos tópicos explicamos por que o reajuste afeta diretamente o bolso do passageiro, quais medidas podem mitigar o repasse e o que fazer na prática para tentar economizar ao comprar passagens de avião, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que o preço do querosene subiu e quanto isso pesa nas contas das aéreas

O movimento está ligado à valorização do petróleo no mercado internacional, alimentado por tensionamentos geopolíticos recentes. No caso do querosene de aviação, cuja produção ainda depende parcialmente de petróleo importado, esse impacto deve chegar em até três meses, na avaliação de especialistas.

O reajuste anunciado foi, na frase da divulgação, “o reajuste de 55% para o preço do querosene de aviação (QAV) anunciado pela Petrobras”, e segue a tendência de março, quando “o preço do combustível subiu 9,4%”.

O peso desse insumo nas contas das empresas é grande, porque “O querosene de aviação corresponde a cerca de um terço dos gastos operacionais das companhias aéreas”. Com os reajustes de março e abril, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) prevê que o combustível passe a representar em torno de 45% destes custos, segundo a divulgação.

Como isso tende a afetar o preço das passagens e a oferta de voos

Especialistas alertam que parte do aumento será repassada ao consumidor, embora as companhias possam absorver fatias do custo. A professora Viviane Falcão, da UFPE, resume o conselho prático, “Se eu pudesse dar um conselho neste momento, seria para comprar a passagem o quanto antes”, afirma.

Viviane estima que as tarifas podem subir entre 15% e 20% nos próximos meses, apenas refletindo a elevação do barril de petróleo. O economista Adriano Pires também projeta alta de até 20% nas passagens e alerta para ajuste na malha aérea.

Para Pires, “A gente vai ter que se adaptar a essa conjuntura negativa que o mundo está vivendo, a gente não pode isolar o Brasil do que está acontecendo no mundo, e as pessoas têm que entender que, infelizmente, tem uma conta pra pagar”, diz o economista, que acrescenta que as companhias podem reduzir voos para preservar margens, elevando a ocupação das aeronaves.

O cenário de menor disponibilidade de aeronaves desde a pandemia e a retomada do volume de passageiros de 2019 já levou a ocupações médias altas, e as três empresas que dominam o mercado brasileiro operam hoje com uma ocupação média de 90% dos assentos, o que tende a tornar voos mais lotados se a oferta for reduzida.

Medidas anunciadas e possíveis atalhos para aliviar o repasse

No mesmo dia em que publicou os novos preços para o QAV, a Petrobrás anunciou que irá oferecer condições de pagamento especiais para as distribuidoras de combustível que fornecem para a aviação comercial. A proposta é que essas distribuidoras, inicialmente, comprem o combustível com um aumento de apenas 18% e parcelem o restante em até seis vezes, a contar do mês de julho de 2026.

Para o viajante, isso pode significar uma diluição no aumento do preço das passagens aéreas. Ainda assim, a professora da UFPE pondera que há risco de a Petrobras não conseguir manter esse repasse “a conta gotas” no tempo, dependendo da evolução da conjuntura geopolítica.

O Ministério de Portos e Aeroportos encaminhou ao Ministério da Fazenda sugestões para aliviar pressão, entre elas, redução temporária de tributos incidentes sobre o QAV, diminuição do IOF em operações financeiras das aéreas e redução do Imposto de Renda sobre contratos de leasing de aeronaves.

O que o passageiro pode fazer agora ao comprar passagens de avião

Se a sua viagem for flexível, compare preços e acompanhe promoções, porque parte do aumento pode ser diluído e há janelas de oportunidade antes de novos repasses. Se a viagem for inevitável e para os próximos meses, comprar com antecedência tende a ser a opção mais segura.

Considere também alternativas como combinar trechos com diferentes cias aéreas, avaliar horários com menor demanda e usar alertas de preço. Para voos internacionais, lembre que fatores cambiais e taxas locais também afetam o valor final do bilhete.

Em síntese, diante do contexto atual, a recomendação de especialistas é priorizar a compra antecipada para reduzir o risco de pagar mais, e acompanhar medidas governamentais e ofertas das companhias, porque elas podem amenizar parte do reajuste.

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