Declaração sobre manutenção dos ataques ao Irã eleva o preço do petróleo, pressiona mercados e aumenta temores sobre transporte marítimo e oferta
Os preços do petróleo subiram de forma acentuada nesta quinta-feira, após o presidente Donald Trump afirmar que os EUA manteriam os ataques ao Irã, sem indicar prazo para o fim do conflito.
A alta refletiu temores de interrupções prolongadas no abastecimento, com aumento dos riscos no tráfego marítimo e nos carregamentos de navios-tanque na região, elevando a aversão ao risco entre investidores.
O movimento reacendeu preocupações sobre custos de combustíveis, possíveis repasses à inflação e impacto em cadeias logísticas, com investidores recalibrando expectativas de oferta e demanda, conforme informação divulgada pelo g1.
Movimento dos preços e dados do mercado
Na manhã desta quinta-feira, o preço do petróleo reagiu de forma violenta, com o Brent avançando 7,85%, cotado a US$ 109,10, e os futuros do WTI subindo 13,08%, para US$ 113,20 por barril.
O salto ocorreu depois de uma queda de mais de US$ 1 nos principais benchmarks antes do discurso, e reflete fluxo de notícias sobre a guerra e a avaliação de riscos de oferta por parte de operadores.
O que motivou a alta e riscos para o abastecimento
Em pronunciamento televisionado, Trump disse, “Vamos terminar o trabalho, e vamos fazê-lo muito rápido. Estamos chegando muito perto”, e afirmou que as forças armadas dos EUA estão próximas de atingir seus objetivos, estimando que o conflito possa terminar em duas ou três semanas.
O discurso, sem um cronograma claro para o fim da guerra ou menção a negociações, aumentou temores de interrupções. Um episódio recente que alarma o mercado é que um petroleiro fretado pela QatarEnergy foi atingido por um míssil de cruzeiro iraniano em águas do Catar, segundo o Ministério da Defesa do país.
O chefe da Agência Internacional de Energia também alertou que eventuais interrupções no fornecimento devem começar a afetar a economia europeia a partir de abril, o que pressiona ainda mais o preço do petróleo.
Reações de analistas
Analistas ressaltaram a falta de indicações de solução diplomática no discurso. Segundo Priyanka Sachdeva, analista sênior de mercado da Phillip Nova, os mercados reagem à ausência de “qualquer menção clara a um cessar-fogo ou a iniciativas diplomáticas”.
Claudio Galimberti, economista-chefe da Rystad Energy, afirmou, “Sem menção a um plano consistente de cessar-fogo ou a uma estratégia de saída, os mercados seguem assimilando as declarações do governo”.
Impacto nas bolsas asiáticas e no apetite ao risco
As falas do presidente americano também pressionaram bolsas na Ásia, com redução do apetite por risco. Na China, o índice de Xangai caiu 0,74%, o CSI300 recuou 1,04% e em Hong Kong o Hang Seng perdeu 0,70%.
O movimento foi amplo na região: o Nikkei recuou 2,28%, o Kospi caiu 4,47%, o Taiex perdeu 1,82%, o Straits Times cedeu 0,70% e o S&P/ASX 200 caiu 1,06%, refletindo vendas mais generalizadas em setores sensíveis ao risco.
O que observar a partir de agora
Investidores acompanharão novos sinais sobre a duração dos ataques, possíveis escaladas que afetem rotas marítimas e comunicações de grandes agentes como a Agência Internacional de Energia.
Se as tensões no transporte marítimo aumentarem, o mercado poderá precificar altas adicionais do preço do petróleo, com impacto direto em combustíveis e em custos logísticos globais.
