Alta do querosene de aviação de 54,6% pela Petrobras, Abear fala em ‘consequências severas’ e setor pode reduzir rotas e rever tarifas

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Petrobras reajustou em abril o preço médio do QAV, aumento que somado ao de março eleva o combustível a 45% dos custos operacionais, afirma Abear

O reajuste de 54,6% no preço do querosene de aviação anunciado para abril aumenta a pressão sobre as companhias aéreas, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas, Abear.

A alta, somada ao aumento de 9,4% em vigor desde 1º de março, faz com que o combustível passe a representar 45% dos custos operacionais das empresas, na avaliação da entidade.

O movimento no preço do QAV reflete a valorização do petróleo no mercado internacional, em meio à guerra no Oriente Médio, e pode afetar oferta de voos e estrutura de preços, conforme informação divulgada pelo g1.

Impacto imediato sobre operação e conectividade

A Abear alertou para efeitos diretos na malha aérea, citando que, na prática, “A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo“.

Apesar de mais de 80% do QAV consumido no Brasil ser produzido internamente, a associação ressaltou que “sua precificação acompanha a paridade internacional, o que intensifica os efeitos das oscilações do preço do barril de petróleo sobre o mercado doméstico”.

Reações das companhias e sinais de repasse aos preços

Executivos do setor já vêm sinalizando que parte do aumento pode ser repassada às tarifas, ou levar à revisão de planos de expansão. Em apresentação a analistas, o diretor financeiro da Abra observou que “um acréscimo de US$ 1 por galão no preço do querosene de aviação pode exigir uma elevação de cerca de 10% nas tarifas”.

A Azul informou que elevou o preço médio das passagens em mais de 20% ao longo de três semanas e pretende limitar o crescimento da operação para lidar com os custos, incluindo redução de cerca de 1% na oferta de voos domésticos no segundo trimestre.

Medida da Petrobras para diluir o choque

Para amenizar o impacto do reajuste, a Petrobras anunciou que, em abril, “as distribuidoras pagarão alta equivalente a 18%. A diferença até os cerca de 54% previstos em contrato será parcelada em seis vezes, a partir de julho”.

A estatal justificou que a iniciativa busca preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do aumento no setor de aviação, mantendo o funcionamento do mercado.

Perspectivas e cenário para passageiros

Com o barril de petróleo tendo subido de cerca de US$ 70 para mais de US$ 115 desde o início do conflito, e com preços ainda sujeitos a volatilidade, analistas afirmam que o setor deve buscar combinar contenção de oferta e ajustes tarifários.

O resultado prático para o consumidor pode incluir menos frequências em rotas e passagens mais caras, caso os aumentos no QAV se mantenham, e o setor não encontre mecanismos de compensação capazes de evitar repasses integrais.

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