Operação de nuvem da Amazon no Bahrein sofreu danos após ofensiva iraniana, incêndio atingiu instalação empresarial e comunicado iraniano listou 18 alvos
Um ataque ligado ao Irã provocou danos em uma operação de nuvem da Amazon no Bahrein e gerou um incêndio em uma instalação empresarial, segundo apurações iniciais.
Equipes da defesa civil do Bahrein foram acionadas para conter as chamas, que, conforme comunicado oficial local, teriam sido provocadas por uma “agressão iraniana”.
O caso ocorre um dia depois da Guarda Revolucionária do Irã divulgar uma lista de empresas consideradas alvos e ameaçar ataques contra companhias americanas na região, conforme informação divulgada pelo g1.
O ataque e os danos
De acordo com uma fonte ouvida pelo jornal, a unidade da Amazon Web Services, conhecida como AWS, no Bahrein sofreu danos após a ofensiva iraniana, em meio ao conflito que se intensificou na região.
O Ministério do Interior do Bahrein informou que as equipes de defesa civil combateram um incêndio em uma instalação empresarial, provocado pelo que classificou como uma “agressão iraniana”, sem detalhar qual empresa foi atingida.
Procurada pela Reuters, a Amazon não comentou diretamente o ataque específico, segundo a agência, enquanto o Financial Times relatou que instalações da AWS na região já foram atingidas diversas vezes desde o início do conflito.
O comunicado iraniano e a lista de alvos
Em comunicado divulgado pela mídia estatal, os militares iranianos listaram 18 organizações selecionadas como alvo e avisaram que suas unidades poderiam ser bombardeadas a partir das 20h em Teerã, 13h30 no horário de Brasília.
O texto afirmou, em tradução e reprodução dos trechos divulgados:
“Vocês ignoraram nossos repetidos alertas e, hoje, vários cidadãos iranianos foram martirizados em ataques terroristas perpetrados por vocês e seus aliados israelenses. Em resposta a essas operações, de agora em diante, as principais instituições atuantes em operações terroristas serão nossos alvos legítimos. Aconselhamos os funcionários dessas instituições a deixarem seus locais de trabalho imediatamente, para sua própria segurança. Os moradores das áreas próximas a essas empresas terroristas, em todos os países da região, também devem evacuar em um raio de um quilômetro e procurar um local seguro”, diz o texto.
O comunicado citou, entre outras, as seguintes empresas sob ameaça, conforme divulgação: Boeing, G42, Spire Solution, GE, Tesla, JP Morgan, Nvidia, Palantir, Dell, IBM, Meta, Google, Apple, Microsoft, Oracle, Intel, HP, Cisco. A Amazon não entrou na lista divulgada pela corporação iraniana.
Repercussões e riscos para empresas de tecnologia
Especialistas e fontes locais avaliam que ataques a infraestruturas de nuvem, mesmo quando limitados, podem causar interrupções de serviços e aumentar o custo de operação de provedores de tecnologia na região.
Fontes de mercado e reportagens indicam que a AWS já registrou incidentes relacionados ao conflito, o que eleva a atenção de clientes corporativos e governos sobre a resiliência de serviços em pontos geográficos sensíveis.
Além do efeito prático sobre servidores e data centers, a ameaça pública da Guarda Revolucionária cria um ambiente de incerteza, especialmente para funcionários e empresas citadas, que foram aconselhados a evacuar locais de trabalho por motivos de segurança.
O que se sabe até agora e próximos passos
Até o momento, autoridades do Bahrein confirmaram apenas o combate ao incêndio em uma instalação empresarial e não identificaram publicamente a companhia atingida.
A Amazon, questionada pela Reuters, não comentou o incidente específico, e o monitoramento internacional segue atento a possíveis novos desdobramentos, especialmente por conta das menções explícitas a grandes empresas de tecnologia.
Investidores e clientes da Amazon Web Services devem acompanhar comunicados oficiais das autoridades locais e das próprias empresas, enquanto analistas avaliam impactos operacionais e de imagem decorrentes do aumento das tensões na região.