Mary Hellen presa na Tailândia: defesa perde contato antes de possível soltura, família mobiliza recursos para advogado local diante da falta de assistência consular

0
6

Falta de comunicação, suspensão de apoio da embaixada e incerteza sobre a data de retorno ao Brasil motivam busca por advogado tailandês e por informações oficiais sobre o fim da pena

A defesa de Mary Hellen Coelho Silva, 25 anos, afirma que perdeu o contato com a jovem detida na Tailândia, justamente no momento em que a conclusão da pena parecia próxima.

Familiares e advogados dizem que a Embaixada interrompeu chamadas de vídeo e outros serviços consulares, o que tem dificultado o acompanhamento do processo e a preparação para o retorno ao Brasil.

A situação tem levado a família a arrecadar recursos para contratar um advogado no país, enquanto a defesa busca informações oficiais sobre a data de soltura, conforme informação divulgada pelo g1.

O caso e a condenação

Mary Hellen foi detida em fevereiro de 2022 no aeroporto de Bangkok, junto com outro brasileiro, após autoridades encontrarem 9 kg de cocaína em malas com compartimentos ocultos, segundo a matéria original. Na ocasião, um terceiro suspeito foi preso horas depois com mais 6 kg da droga.

Em 8 de maio de 2022, a Justiça tailandesa a sentenciou a 9 anos e 6 meses de prisão, distribuídos em 2 anos por crime civil e 7 anos e 6 meses por crime penal. A defesa informou que, por determinação judicial, Mary Hellen se declarou culpada perante o juiz, e, segundo o advogado Telêmaco Marrace, ela afirmou ter sido ‘mula’.

Havia ainda a multa de 750 mil Baht, o equivalente a cerca de R$ 105 mil, valor relativo à condenação civil, porém, por bom comportamento e benefícios concedidos, a jovem recebeu perdões que reduziram essa parte da pena.

Falta de assistência consular e impacto no acompanhamento

A advogada do caso, Kaelly Cavoli, afirmou, em nota, que “Desde o início do ano, a Embaixada tem se recusado a prestar até mesmo os serviços mais simples de assistência consular. Essa postura tem inviabilizado o contato direto e o repasse de informações essenciais tanto para a defesa quanto para os familiares, configurando um verdadeiro cenário de abandono do cidadão brasileiro detido em jurisdição estrangeira”.

Antes dessa suspensão, a comunicação ocorria por chamadas de vídeo intermediadas pela representação brasileira em Bangkok, segundo a defesa. A ausência desse suporte amplia as dificuldades já comuns em casos internacionais, como barreira de idioma, diferenças nos sistemas jurídicos e o fuso horário.

O último contato registrado com Mary Hellen foi em novembro do ano anterior, quando a defesa informou que ela havia obtido reduções de pena por bom comportamento. Ainda restava a análise de um último pedido, protocolado em dezembro de 2025, de acordo com as informações citadas pela defesa.

Medidas em curso e expectativas

Diante do bloqueio informativo, a família e a equipe jurídica passaram a buscar um advogado correspondente na Tailândia, seja remunerado, seja voluntário, para garantir acesso aos autos e acompanhar a fase final do cumprimento da pena.

Segundo a defesa, a brasileira foi beneficiada com o chamado Perdão Real em relação à multa, além de outros perdões que reduziram a pena, e havia expectativa de que o cumprimento total da pena ocorresse já no início deste semestre, possivelmente ainda no primeiro semestre de 2026.

Enquanto isso, a família mobiliza arrecadação de recursos para contratar um profissional no país asiático, e a defesa diz que seguirá adotando medidas jurídicas para “superar a inércia consular e garantir os direitos fundamentais da cidadã brasileira”.

Posicionamento do Itamaraty e próximos passos

O g1 e a EPTV tentaram contato com o Ministério das Relações Exteriores para obter mais detalhes sobre o caso, mas não receberam resposta até a última atualização da reportagem, conforme a cobertura original.

A prioridade, segundo a defesa, é obter confirmações oficiais sobre o término do cumprimento da pena e sobre as providências para o retorno seguro de Mary Hellen ao Brasil, além de garantir acesso regular à detenta enquanto ela estiver na Tailândia.

O caso segue sob acompanhamento da defesa e da família, que aguardam esclarecimentos oficiais e a possibilidade de fechar um acompanhamento jurídico local que permita comunicação direta e transparência sobre os procedimentos finais.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here