Reajuste de 55% no querosene de aviação da Petrobras pressiona tarifas e recuperação de Gol e Azul, entenda o impacto no setor aéreo

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Aumento de 55% no QAV para distribuidoras em abril pode levar a repasses nas tarifas e ampliar a pressão sobre companhias ainda em reestruturação

A Petrobras elevou o preço médio de venda do querosene de aviação, o QAV, em cerca de 55% para as distribuidoras em abril, segundo relatos da imprensa.

O ajuste segue a rotina contratual de revisões no começo de cada mês, e ocorre em um momento de alta do preço do petróleo no mercado internacional.

O anúncio, citado por agentes do setor e por representantes das companhias, aumenta a preocupação sobre custos e tarifas, conforme informação divulgada pelo g1.

Como foi o reajuste e o que motivou a mudança

Segundo os relatos, o aumento de abril acontece após um reajuste de 9,4% em março, e reflete a elevação do preço do barril no mercado internacional.

Na semana do anúncio, o preço do barril tipo Brent caía 1,80%, a US$ 102,10, por volta das 10h13, e, no dia anterior, o combustível fechou em US$ 103,97, dados citados na cobertura.

Desde o início da guerra, o preço do barril saltou de cerca de US$ 60 para mais de US$ 115, pressionando custos globais de combustíveis.

Impacto sobre companhias aéreas e tarifas

O querosene de aviação é um dos principais custos das empresas aéreas, e, no Brasil, representa mais de 30% das despesas operacionais do setor, segundo informações do setor citadas na apuração.

O Grupo Abra, que controla a Gol, informou que o aumento entra em vigor em abril, e o diretor financeiro da Abra, Manuel Irarrazaval, disse que o reajuste será “moderado” em comparação com a alta internacional.

Mesmo assim, Irarrazaval afirmou que, se o combustível subir, as companhias podem repassar parte do custo às passagens, lembrando que, segundo cálculos citados, um aumento de US$ 1 por galão no preço do querosene de aviação pode exigir uma alta de cerca de 10% nas tarifas.

Medidas adotadas pelas aéreas e cenário para os próximos meses

A Azul já anunciou que elevou o preço médio das passagens em mais de 20% ao longo de três semanas, e que pretende limitar o crescimento da sua malha para enfrentar o aumento do combustível.

Entre as medidas previstas está a redução de 1% na oferta de voos domésticos no segundo trimestre, para ajustar capacidade e custos.

A persistência da alta do petróleo e a política de reajustes mensais da Petrobras devem obrigar o mercado a recalibrar preços e projeções financeiras das empresas nos próximos meses.

O que observar daqui para frente

Fique atento ao comportamento do preço do Brent, às leituras trimestrais das companhias aéreas e às decisões regulatórias sobre combustíveis.

Se os preços internacionais se mantiverem elevados, o setor aéreo pode enfrentar mais pressão sobre margens e uma provável nova rodada de repasses para consumidores.

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