segunda-feira, abril 20, 2026

Milhares protestam na Alemanha por Collien Fernandes e pedem leis duras contra deepfakes, pressionando revisão da proteção a mulheres na era digital

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Protestos em Berlim, Hamburgo, Frankfurt e Munique cobram legislação mais rígida sobre deepfake, responsabilização de agressores e avanços na proteção contra violência digital

Milhares de pessoas saíram às ruas na Alemanha para apoiar a atriz Collien Fernandes, após a divulgação de vídeos pornográficos falsos gerados por inteligência artificial nos quais ela aparece, segundo acusações.

Os atos, realizados de Berlim a Frankfurt e Hamburgo, foram convocados por coletivos e grupos feministas que apontam lacunas nas leis atuais para combater a circulação de deepfakes e a violência digital contra mulheres.

Além de pedidos de punição aos responsáveis, os manifestantes exigem mudanças legislativas que aumentem proteção e prevenção desse tipo de ataque online, que atinge principalmente mulheres em espaços públicos e privados, conforme informação divulgada pelo g1.

O caso e as acusações

Collien Fernandes, atriz de 44 anos, afirma que seu ex-marido, o ator e apresentador Christian Ulmen, de 50 anos, criou perfis falsos e divulgou vídeos pornográficos falsos com sua imagem, o que gerou anos de assédio online.

Fernandes já havia registrado uma denúncia em 2024, que foi arquivada em junho daquele ano por falta de pistas para identificar o autor dos vídeos. Diante da repercussão recente, ela também apresentou queixa na Espanha, onde o casal morava, citando regras mais rígidas sobre violência contra as mulheres naquele país.

A própria atriz descreveu a Alemanha como um “paraíso para os agressores”, ao apontar falhas na proteção jurídica disponível para vítimas de exploração e difusão de imagens manipuladas por IA.

Mobilização nas ruas e pressão por legislação

Os protestos tomaram grandes capitais alemãs, e, no dia 26 de março, cerca de 17.000 pessoas se reuniram em Hamburgo para exigir ações do governo e mudanças nas leis.

Organizadores e participantes afirmam que a mobilização não é apenas em defesa de uma figura pública, mas também em apoio a vítimas que não têm visibilidade, e pedem normas que punam a criação e distribuição de deepfakes sexuais.

Em Munique, a Juventude dos Verdes destacou que é preciso “leis verdadeiras que sensibilizem especialmente as mulheres sobre esta violência digital”, e ressaltou a necessidade de medidas preventivas e de atendimento às vítimas.

Resposta das autoridades e investigação

A Procuradoria alemã informou que abriu investigação contra Christian Ulmen por uma “suspeita inicial” com base nos elementos apresentados por Fernandes, e que, por ora, investiga-se o crime de assédio, com possibilidade de incluir outras infrações posteriormente.

O caso voltou a acelerar o debate público sobre a urgência de regular a criação e circulação de deepfakes, enquanto o governo prepara um projeto de lei específico para esses conteúdos gerados por IA.

Especialistas apontam que a dificuldade de identificação e rastreamento dos autores, combinada com lacunas na legislação atual, torna a investigação e a responsabilização mais complexas.

Impacto político e debate público

O escândalo também gerou tensão política. O chefe de governo, Friedrich Merz, afirmou haver uma “explosão da violência na nossa sociedade, tanto no espaço físico como no digital“, e gerou controvérsia ao sustentar que “uma parte considerável desta violência procede das comunidades de imigrantes”.

Repercussões foram rápidas, e organizações feministas reagiram com críticas. Lydia Dietrich, diretora da Frauenhilfe München, chamou a afirmação de Merz de “Uma mentira populista escandalosa” durante uma marcha em apoio à atriz.

Além da pressão nas ruas, ativistas e juristas cobram uma resposta combinada, que envolva leis específicas contra deepfakes, medidas de proteção a vítimas, acompanhamento das plataformas digitais e campanhas de conscientização sobre violência digital.

O caso de Collien Fernandes reabriu o diálogo sobre como democracias lidam com crimes tecnológicos que afetam direitos, reputações e segurança pessoal, e coloca em evidência a necessidade de harmonizar investigação criminal, apoio às vítimas e regulação das tecnologias de IA.

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