BRB aponta que Master adiou reuniões e repassou R$12 bilhões em carteiras podres da Tirreno sem garantias, com R$15,5 milhões não repassados detectados

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Documentos do BRB mostram sequências de adiamentos, falhas no controle manual, reconhecimento de R$14,5 milhões pagos na visita técnica e dificuldade em rastrear contratos

O BRB identificou divergências e tentativas frustradas de alinhamento com o Banco Master sobre as carteiras de crédito adquiridas, em um processo marcado por remarcações constantes e problemas operacionais.

Técnicos do banco apontaram, durante relatórios e visitas técnicas, controle manual por planilhas, falta de documentos essenciais e parcelas que constavam em arquivos, mas não tinham sido efetivamente repassadas.

As informações constam em documentos internos consultados pelo BRB durante as apurações, conforme informação divulgada pelo g1

Adiamentos e falta de respostas

Segundo os relatórios, o primeiro encontro sobre os lastros foi agendado para 4 de abril, e passou por uma sequência de reagendamentos, com novas datas para 7, 8, 9 e 14 de abril, até que o Master acabou por declinar do encontro marcado para 14 de abril.

O grupo de trabalho do BRB registrou, em 15 de abril de 2025, preocupação formal com as “constantes remarcações e recusas” do Banco Master em participar das reuniões solicitadas, após pedidos que incluíam listas de contratos e a identificação de produtos como o CredCesta.

Primeira visita técnica e valores não repassados

Entre os dias 15 e 17 de abril de 2025, o BRB realizou a primeira visita técnica à sede do Master, em São Paulo, para tentar obter os levantamentos solicitados por carta formal e conciliar os repasses financeiros.

Durante a visita, técnicos identificaram cerca de R$ 15,5 milhões em parcelas que estavam nos arquivos, mas não tinham sido repassadas. O Banco Master reconheceu aproximadamente R$ 14,5 milhões, e esse montante foi pago durante a ação do grupo de trabalho.

Segunda visita, origem das carteiras e uso da Tirreno

Em uma segunda visita, nos dias 29 e 30 de abril de 2025, o BRB aprofundou a apuração sobre averbações e lastros, e discutiu até a possibilidade de uso de conta escrow para conciliar repasses dos órgãos pagadores.

Foi nessa visita que o BRB verificou que boa parte das carteiras adquiridas não tinha como origem o Banco Master, mas sim a empresa Tirreno, criada em 4 de novembro de 2024, informação que antes aparecia apenas como contratos oriundos de uma “associação”.

Suspeitas, impacto e pontos em aberto

Os documentos do BRB apontam que o banco comprou cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito problemáticas, que não pertenciam ao Master e não tinham garantias financeiras claras.

A investigação levanta a suspeita de que o Banco Master não dispunha de fundos para honrar títulos emitidos com vencimento em 2025, e que créditos da Tirreno foram revendidos ao BRB sem pagamentos prévios, dificultando a rastreabilidade e a validação dos contratos.

Além das inconsistências nos repasses e na documentação, os relatórios registram limitações do controle operacional, dúvida sobre a origem dos contratos, e respostas parciais do Master a cartas formais e solicitações de dados essenciais.

O caso segue sob apuração, e os documentos do BRB detalham passos que podem influenciar ações regulatórias e avaliações de risco, à medida que se busca esclarecer responsabilidades e estancar perdas potenciais.

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